Cineversão: Moana e A Morte do Demônio estreiam nas telonas

Na quinta-feira (9/7), chegam aos cinemas duas grandes estreias: a adaptação live-action de “Moana” e “A Morte do Demônio: Em Chamas”, o mais novo filme da famosa franquia de terror que começou na década de 1980. Esses lançamentos, apesar de ambos serem aguardados, têm como alvo públicos bastante diferentes. Além deles, a programação inclui três produções brasileiras, destacando a estreia de Paolla Oliveira em um filme de terror, uma comédia adulta dirigida por Olivia Wilde e um drama musical ambientado no período de Vivaldi.


 

🎞️ MOANA

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A nova versão live-action de “Moana” chega às telonas uma década após o lançamento da animação original, que se tornou um dos maiores sucessos da Disney no streaming e gerou uma sequência animada bilionária. Thomas Kail, conhecido pelo seu trabalho em “Hamilton”, assume a direção desta refilmagem que reinterpreta a jornada da jovem escolhida pelo oceano em uma emocionante aventura musical repleta de canto, dança e coreografias inspiradas nas culturas do Pacífico.

O papel principal de Moana é interpretado por Catherine Laga’aia, escolhida após um extenso processo seletivo com milhares de concorrentes. Filha do ator samoano Jay Laga’aia, ela assume o personagem que foi originalmente dublado por Auli’i Cravalho, agora produtora executiva do filme. Dwayne Johnson retorna como Maui, após ter dublado o personagem na animação, cuja aparência foi inspirada em seu avô, Peter Maivia, famoso lutador samoano.

A narrativa segue a estrutura familiar: Moana deixa sua ilha natal, Motunui, para restaurar o equilíbrio afetado por uma maldição e precisa convencer Maui a acompanhá-la em sua jornada. O elenco conta ainda com John Tui como Chefe Tui, Frankie Adams no papel de Sina, Rena Owen como Vovó Tala e Jemaine Clement reprisando seu papel como Tamatoa. Os compositores incluem Lin-Manuel Miranda, mantendo a essência musical que fez a animação ser tão popular.

No entanto, a falta de elementos novos é um dos aspectos mais criticados da produção, que acaba repetindo muitas cenas quase idênticas à animação original e sem o mesmo frescor que tornou o filme anterior um fenômeno.


 

🎞️ A MORTE DO DEMÔNIO: EM CHAMAS

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Este capítulo recente da série criada por Sam Raimi aborda novamente temas de possessão familiar e traz uma mulher como protagonista na sequência de “A Morte do Demônio: A Ascensão” (2023). Alice, interpretada por Souheila Yacoub (“Duna: Parte Dois”), busca abrigo na casa isolada dos sogros enquanto lida com o luto pela perda do marido. O que deveria ser um momento de descanso logo se transforma em uma luta pela sobrevivência quando forças demoníacas começam a dominar os membros da família.

Sébastien Vanicek dirige este novo filme após sua obra “Infestação”, que chamou a atenção de Raimi. Ele coescreve o roteiro ao lado de Florent Bernard e mantém temas centrais da franquia como possessão e degradação física progressiva, mas muda o foco para questões familiares ligadas ao luto e às obrigações decorrentes dele. O filme apresenta momentos impactantes, incluindo cenas perturbadoras como dedos sendo arrancados em portas e uma mulher possuída consumindo cera quente.

A produção também estabelece conexões diretas com “A Ascensão”, trazendo Jessica (Anna-Maree Thomas), a personagem endemoniada do filme anterior que causa um acidente fatal envolvendo o marido de Alice. O elenco inclui Hunter Doohan (“Wandinha”), Luciane Buchanan (“O Agente Noturno”), Tandi Wright (“Pearl”) e Erroll Shand (“Nossa Bandeira É a Morte”).


 

🎞️ HERANÇA DE NARCISA

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Este é o primeiro filme de terror estrelado por Paolla Oliveira e gira em torno do inventário de uma casa transformado em uma história sobrenatural. Vencedor da mostra Novos Rumos no Festival do Rio, o longa aborda a relação da protagonista Ana com sua mãe falecida Narcisa. Após a morte da mãe, Ana visita o antigo casarão da família para planejar sua venda e dividir os lucros com seu irmão Diego, interpretado por Pedro Henrique Müller (“Bom Dia, Verônica”). Contudo, essa limpeza revela legados emocionais difíceis de lidar.

A presença fantasmagórica de Narcisa permanece ligada à casa e aos objetos dela contidos, evidenciando as questões mal resolvidas entre mãe e filha. O terror emerge dessa continuidade materna mesmo após a morte em um lar onde memória e dependência emocional se entrelaçam.

Clarissa Appelt e Daniel Dias são os responsáveis pela direção e roteiro deste projeto; ambos possuem formação em roteiros nos EUA. Clarissa já havia dirigido “A Casa de Cecília”, exibido no festival Tiradentes; enquanto Daniel foi roteirista do sucesso brasileiro “Nosso Sonho”. “Herança de Narcisa” representa o primeiro longa-metragem da dupla na função de codiretores.


 

🎞️ OS EMERGENTES

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A proposta desta comédia brasileira gira em torno das mudanças sociais. Dirigido por Hsu Chien (“De Repente, Miss”), o filme narra a história de uma família rica do Rio que perde toda sua fortuna e acaba dependendo dos antigos empregados. Essa inversão coloca os ex-patrões na posição subserviente diante dos empregados que agora prosperaram financeiramente.

Diferente de levar os personagens para uma pobreza abstrata, a trama mantém todos no mesmo ambiente consumista ao qual estão acostumados mas agora sem recursos financeiros para dominá-lo. Alexandra Richter (“Vai que Cola”) e Nelson Freitas (“Minha Mãe É Uma Peça”) interpretam um casal forçado a reconsiderar suas definições sobre status social devido à ruína financeira que desmantela seus privilégios. O elenco ainda conta com Rafael Cardoso (“Império”), Paulinho Serra (“Vai que Cola”), Mônica Carvalho (“Mulheres de Areia”), Lucas Penteado (“Nosso Sonho”) entre outros.


 

🎞️ O CONVITE

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Este remake americano do espanhol “Sentimental”, dirigido por Cesc Gay, apresenta uma comédia dramática centrada em um jantar entre vizinhos que revela as fragilidades de dois casamentos. Olivia Wilde dirige e interpreta Angela ao lado de Joe (Seth Rogen), cuja relação está desgastada antes da chegada dos vizinhos Piña (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton).

O encontro social rapidamente evolui para uma proposta sexual inesperada que força os anfitriões a confrontarem suas frustrações pessoais e desejos reprimidos. A intenção do filme não reside apenas no escândalo gerado pela situação mas também nas conversas tensas entre quatro adultos tentando lidar com desconfortos emocionais. A estrutura narrativa é centrada nos diálogos intensos herdados do original espanhol.

O roteiro é assinado pelos atores Rashida Jones (“Parks and Recreation”) e Will McCormack (autor de “Toy Story 4”). Apresentado no Festival Sundance, este longa gerou grande interesse para distribuição ao alcançar 94% na aprovação crítica no Rotten Tomatoes—recolocando Wilde no circuito cinematográfico independente após seu trabalho anterior em sci-fi.


 

🎞️ PRIMAVERA

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A adaptação cinematográfica baseada no romance “Stabat Mater”, escrito por Tiziano Scarpa marca a estreia no cinema do diretor italiano Damiano Michieletto—conhecido por seu trabalho em óperas—e explora os primórdios da carreira musical de Antonio Vivaldi. No entanto, Michieletto rejeita categorizações simplistas sobre cinebiografias; ele foca mais nas experiências das meninas do Ospedale della Pietà—uma instituição veneziana que acolhia órfãs junto à orquestra feminina durante o século XVIII.

O roteiro elaborado por Ludovica Rampoldi (“O Traidor”) examina momentos anteriores à fama consolidada do compositor enquanto ele trabalhava na orquestra da Pietà. A verdadeira protagonista é Cecilia—a jovem violinista órfã vivendo numa realidade onde música tanto representa liberdade quanto confinamento. Com Vivaldi (Michele Riondino) entrando em cena essa percepção muda profundamente para Cecilia (Tecla Insolia), levando-a a refletir sobre suas próprias habilidades artísticas frente às limitações impostas às mulheres naquela época.

A formação operística do diretor aparece claramente na forma como interage corpo-espaço-música ao longo do filme—com foco na experiência vivida pela protagonista dentro desse contexto restrito. A obra recebeu quatro prêmios David di Donatello nas categorias Música, Som, Figurino e Maquiagem.


 

🎞️ TOQUINHO – ENCONTROS E UM VIOLÃO

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Lançado coincidentemente na semana em que Toquinho celebra seus 80 anos, este documentário transforma essa data especial num eixo narrativo sem reduzir sua trajetória artística a meras homenagens superficiais. A diretora Erica Bernardini organiza as memórias musicais através depoimentos emotivos intercalados com apresentações ao vivo e registros históricos—tendo Toquinho como narrador principal dessa jornada pessoal.

A narrativa abrange desde suas origens musicais até seu processo criativo—incluindo colaborações significativas ao longo dos anos com diversas gerações dentro da música popular brasileira.

Depoimentos enriquecedores vêm também de figuras renomadas como Ornella Vanoni, Pedro Bial , Ivan Lins , Roberto Rivellino , Jane Duboc—indicando não só sua influência mas também suas conexões internacionais. O resultado procura unir palco,mémoria pessoal,e circulação global tratando Toquinho não apenas como ícone mas como artista moldado por sua trajetória entre repertórios tradicionais italianos,e contribuições duradouras à canção popular brasileira.

By Bauru Report

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