Na divulgação do balanço referente ao segundo trimestre, a Samsung revelou uma perda significativa na divisão de celulares. A unidade MX e Networks, que abrange smartphones, tablets, dispositivos vestíveis e equipamentos de rede, apresentou um resultado operacional negativo de 0,7 trilhões de won, equivalente a aproximadamente R$ 2,5 bilhões.
Um aspecto intrigante desse cenário é a disparidade entre os resultados. Durante o mesmo período, a empresa reportou receitas e lucros operacionais recordes, impulsionados pela divisão de semicondutores, que fornece o componente responsável pela redução da margem nos celulares.
Desempenho da unidade MX no trimestre
A diminuição nas margens não se deveu a vendas aquém do esperado; na verdade, a receita da unidade teve um crescimento de 13,7% em relação ao ano anterior, conforme apurado pelo jornal econômico MoneyToday com base nos dados financeiros.
O lucro da unidade MX caiu de 2,8 trilhões de won no primeiro trimestre para um déficit entre abril e junho. Este resultado marca o primeiro prejuízo trimestral desde que a Samsung começou a divulgar o desempenho dessa divisão separadamente em 2011.
Resultados gerais da empresa no mesmo período
No consolidado geral, a Samsung obteve uma receita total de 171,5 trilhões de won, representando um aumento de 28% em comparação com o trimestre anterior. O lucro operacional alcançou 89,5 trilhões de won, ambos números históricos. O lucro por ação também teve um incremento significativo de 52%, atingindo 10.849 won.
A divisão DX, que engloba as áreas de MX, TVs e eletrodomésticos, sofreu uma queda de 9% nas vendas quando comparada ao trimestre anterior e registrou um prejuízo em torno de 800 bilhões de won, refletindo os danos causados pela área móvel e um leve rombo na linha branca.
Origem dos custos elevados
A Samsung identificou claramente o problema em seu comunicado sobre os resultados:
“Os lucros caíram devido às elevadas pressões de custo dos componentes em todo o setor”
Os produtos premium conseguiram manter sua rentabilidade. Segundo a empresa, tanto o Galaxy S26 Ultra quanto a série Galaxy Z Fold 8 apresentaram um bom desempenho financeiro devido ao preço médio mais elevado.
No entanto, os segmentos mais acessíveis enfrentaram dificuldades maiores. A margem já era estreita antes do aumento dos preços dos componentes e agora a estratégia está voltada para incentivar consumidores a optarem por modelos mais caros dentro da própria linha A, focando especificamente nos Galaxy A57 e A37.
A memória que impactou os resultados vem da mesma companhia
Como mencionado anteriormente, o quadro geral é impactado por outra divisão adjacente. O setor de memórias da Samsung teve seu melhor trimestre histórico tanto em receita quanto em lucro operacional ao priorizar produtos voltados para servidores devido à capacidade limitada.
A empresa aumentou suas vendas do modelo HBM4 e começou a enviar amostras do HBM4E para grandes clientes. A participação das vendas destinadas aos servidores atingiu seu nível mais alto já registrado.
As perspectivas para o segundo semestre indicam que esse desequilíbrio deve persistir. A Samsung antecipa uma demanda sólida impulsionada por investimentos em infraestrutura relacionada à inteligência artificial (IA) e pela adoção crescente da IA autônoma. Mesmo com o aumento na produção, a oferta continua escassa enquanto há uma moderação parcial na demanda por celulares e computadores pessoais.
Estratégia para o segundo semestre
A fabricante sul-coreana anunciou sua intenção de focar na expansão através do lançamento de produtos premium nas linhas Galaxy Z8 e S26 além de buscar aumentar sua participação no mercado.
No planejamento para este semestre estão incluídos também os lançamentos dos óculos inteligentes da marca e iniciativas voltadas à eficiência para mitigar os efeitos do aumento nos custos.
A área Networks, que está integrada ao MX, apresentou melhoria nos resultados trimestrais com crescimento nas vendas internacionais.
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Quem arcará com os aumentos?
A transferência dos custos já está sendo projetada; especialistas acreditam que a faixa entre US$ 200 e US$ 500 verá os maiores aumentos percentuais, sendo este segmento onde estão consumidores com menor renda e onde as margens já não conseguem absorver reajustes nos componentes.
A situação também se reflete nas remessas globais; a Counterpoint Research reportou uma queda de 11% nas entregas globais de smartphones no segundo trimestre e prevê um recuo total anual de 14%, devido à escassez das memórias que deverá persistir até 2027.
No entanto, existe um limite temporal para essa dinâmica dentro da Samsung. O resultado excepcional da divisão responsável pelos chips cobre amplamente as perdas na área móvel, aliviando assim a pressão imediata sobre o segmento MX.
A situação pode mudar caso haja uma desaceleração na demanda por infraestrutura relacionada à IA antes que os preços dos produtos DRAM e NAND retornem aos níveis normais; nesse cenário, a empresa poderia perder lucros provenientes dos semicondutores sem conseguir recuperar rapidamente as margens no setor móvel.
