Edson Braga propõe nova métrica para entender o consumo após a venda

Empresário apresenta conceitos para aproximar P&D da experiência real do consumidor e ampliar o aprendizado da indústria de alimentos

A indústria de alimentos tornou-se altamente eficiente em acompanhar produtos da fábrica ao varejo. Produção, distribuição, preço, frequência de compra e desempenho comercial podem ser monitorados em detalhes.

Para Edson Braga, porém, existe uma etapa decisiva que ainda recebe menos atenção: o que acontece depois que o alimento é vendido.

A partir dessa percepção, o empresário propõe ampliar a leitura tradicional do mercado e incorporar ao desenvolvimento de produtos informações sobre preparo, consumo, sobras e desempenho fora da fábrica.

A tese defendida por Braga é direta: vender uma unidade não significa necessariamente concluir com sucesso a experiência daquele alimento.

Edson Braga propõe olhar além do sell-out

O mercado trabalha tradicionalmente com sell-in, relacionado à entrada do produto no canal, e sell-out, referente à venda ao consumidor.

Braga propõe acrescentar uma terceira dimensão, que denomina Consumption-out.

O conceito busca compreender o desempenho do produto depois que ele entra na rotina do consumidor, sem transformar essa análise em vigilância individual.

Uma pizza congelada, por exemplo, pode ser armazenada por dias, preparada em temperatura inadequada, dividida ou consumida apenas parcialmente.

Comercialmente, todas essas situações representam uma venda.

Para quem desenvolve o produto, representam resultados diferentes.

É justamente nesse intervalo que Braga identifica uma oportunidade de inovação para a indústria.

Qualidade precisa sobreviver à saída da fábrica

Essa discussão ganha importância em congelados, refrigerados, refeições prontas, produtos semiacabados e soluções para food service.

Nessas categorias, parte relevante do resultado depende de armazenamento, equipamento, temperatura, transporte e preparo final.

Para representar essa distância, Edson Braga apresenta o conceito de Gap de Experiência Alimentar: a diferença entre aquilo que foi projetado pelo desenvolvimento e aquilo que realmente chega ao consumidor.

A pergunta proposta pelo empresário é:

quanto da qualidade prometida ainda depende de fatores que a indústria não controla?

A resposta pode influenciar formulação, embalagem, instruções de preparo e até o desenho do próprio produto.

A proposta é fazer o aprendizado voltar para o P&D

Outro ponto central da análise de Braga está no fluxo de informações.

Tradicionalmente, o conhecimento segue de P&D para fábrica, distribuição, varejo e consumidor.

Na visão do empresário, esse caminho deveria se transformar em um ciclo.

Dados voluntários de QR codes, informações provenientes de food service, avaliações, devoluções, registros de preparo e sobras poderiam retornar ao desenvolvimento.

Com isso, P&D deixaria de trabalhar apenas com avaliações genéricas e passaria a compreender melhor as causas de determinadas experiências.

O alimento sairia da fábrica.

O aprendizado voltaria.

O desperdício também pode revelar problemas de produto

Braga também propõe uma leitura diferente sobre as sobras.

Um prato parcialmente consumido pode indicar porção inadequada, perda de textura, problema de composição ou baixa aceitação de algum componente.

Antes de representar apenas descarte, parte desse alimento pode funcionar como informação.

Essa abordagem aproxima redução de desperdício e desenvolvimento.

Em vez de perguntar apenas quanto foi jogado fora, a indústria poderia investigar por que aquilo não foi consumido.

Edson Braga apresenta a Taxa de Conclusão Alimentar

A terceira proposta é a Taxa de Conclusão Alimentar.

O conceito parte de uma pergunta:

quanto daquilo que produzimos foi realmente consumido com satisfação?

Ainda que sua mensuração em larga escala seja complexa, Braga considera que esse tipo de indicador poderia ampliar decisões sobre porcionamento, formulação, embalagem, custos e sustentabilidade.

Um produto pode apresentar excelente desempenho de vendas e, ao mesmo tempo, problemas no consumo final.

A compra demonstra interesse.

A conclusão da refeição revela outra parte da qualidade.

Uma indústria capaz de aprender depois da venda

Para Edson Braga, a digitalização já aumentou significativamente o volume de informações disponíveis no setor. O próximo desafio está em transformar esses dados em aprendizado sobre o próprio alimento.

Sell-in e sell-out continuam fundamentais.

Mas a proposta do empresário acrescenta uma pergunta às discussões de P&D e gestão:

o alimento cumpriu aquilo para que foi produzido?

É dessa questão que surgem os três conceitos apresentados por Braga — Consumption-out, Gap de Experiência Alimentar e Taxa de Conclusão Alimentar — como formas de aproximar indústria e consumo real.

A ideia é fazer com que a fábrica deixe de aprender apenas com aquilo que acontece dentro de suas paredes.

Se o conhecimento puder retornar da mesa para o desenvolvimento, a indústria poderá compreender não apenas o que conseguiu vender, mas quais produtos realmente funcionaram quando chegaram ao momento para o qual foram criados: o consumo.

By Bauru Report

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