A perda da imagem de unanimidade parece afetar Abel Ferreira. Nos anos de 2023 e 2024, ele era visto como um técnico intocável, recebendo aplausos constantes, especialmente por conta dos títulos conquistados, incluindo duas Libertadores. Entretanto, entre 2025 e 2026, as críticas se intensificaram; a equipe apresenta um desempenho insatisfatório e o único troféu conquistado foi o Campeonato Paulista. Ele não aceita bem essas avaliações negativas, considerando-as injustas.
Recentemente, quando questionado sobre a possibilidade de fazer melhor, Abel reconheceu que sim, mas listou os títulos do ano anterior, destacando o vice-campeonato na Libertadores e na Copa do Brasil. Após a classificação contra o Cerro, ele fez um desabafo sobre a situação do futebol.
“O futebol tem a capacidade de unir as pessoas. Ele deveria ser um esporte saudável e criar momentos em família. No entanto, ao observar o cenário atual, vejo que o futebol está passando por uma crise. Vou me empenhar ao máximo para encontrar uma solução”.
Embora suas palavras sejam inspiradoras, elas contrastam com sua postura desde que chegou ao clube. Abel frequentemente demonstra comportamento inadequado em campo: reclamações constantes, ofensas a árbitros, comentários misóginos durante entrevistas e até mesmo ações legais quando foi chamado de portador de mentalidade colonizadora por um jornalista. Ele perdeu essa disputa judicial porque o juiz entendeu que se tratava apenas de uma opinião.
O futebol realmente proporciona momentos familiares. Contudo, a harmonia nas relações é alcançada quando as pessoas aceitam seus erros. Alguma vez você já viu Abel reconhecer falhas dos árbitros que favoreciam o Palmeiras? Nunca! Ele sempre se vê como vítima e aproveita a paixão dos torcedores para disseminar a narrativa de “todos contra nós”. Como se pode melhorar a situação do futebol brasileiro se seu auxiliar já insinuou que o campeonato estaria direcionado a outros times sem apresentar provas? Essa desconfiança só gera mais lama no ambiente esportivo.
Abel também critica jornalistas que apontam suas falhas. “A maneira como observamos o futebol é adoecida. Se não ganhamos somos considerados fracos ou incapazes; vivemos obcecados pela liderança. Se não formos os melhores alunos da classe, nosso esforço não é reconhecido? Competir e perder me torna um perdedor? Perdedor é aquele que desiste”.
Embora suas declarações sejam motivacionais, esquecem-se de que o Palmeiras é um clube com recursos financeiros significativos, capaz de pagar mais por Arias do que o Fluminense recebeu quando ele foi vendido para a Rússia e ainda contratar Paulinho, que atualmente não atua… Abel possui muitas vantagens à sua disposição. Se não consegue converter isso em vitórias consistentes, ser cobrado faz parte da realidade do futebol profissional e não deve ser encarado como uma doença. A comparação é simples: Cabo Verde merece elogios por empatar com a Argentina enquanto esta última deve ser criticada pelo mesmo resultado contra Cabo Verde. Se Abel deseja ser tratado como treinador de Cabo Verde, talvez não tenha lugar no Palmeiras.
