Conforme reportagens recentes, o arquipélago de Fernando de Noronha, que se destaca por seus ecossistemas variados e é classificado como parque marinho protegido, passará a ser alimentado por energia renovável até 2027. Este esforço visa uma transição gradual do uso de diesel para fontes mais sustentáveis.
A proposta, chamada Noronha Verde, é parte de um projeto da Neoenergia, uma companhia atuante na geração e transmissão de energia com foco em soluções fotovoltaicas. O total investido nessa descarbonização das ilhas é em torno de R$ 350 milhões.
O plano inclui a instalação de mais de 30 mil painéis solares, além de sistemas de armazenamento em baterias para suprir a demanda elétrica local. A primeira fase do projeto começou neste mês e já conta com 4.800 painéis solares que estão em testes na Usina Solar Noronha Verde.
Apresentado pela Neoenergia durante os debates da COP30, que ocorreu no Brasil no final de 2025, o projeto é fruto de uma colaboração entre as esferas federal e estadual do governo pernambucano.
Um financiamento adicional de € 300 milhões foi estabelecido entre a Neoenergia e o Banco Europeu de Investimento (BEI) para modernizar a rede elétrica na Bahia, beneficiando cerca de seis milhões de pessoas com fontes renováveis. Esta ação faz parte da estratégia Global Gateway da União Europeia, que busca promover investimentos sustentáveis.
No momento, a maior parte da energia consumida em Fernando de Noronha, situado a aproximadamente 545 quilômetros de Recife, provém da Usina Tubarão, que opera principalmente com biodiesel e diesel. A ilha consome cerca de 900 mil litros desse combustível mensalmente para suprir sua demanda elétrica.
Uma vez finalizada, a nova usina da Neoenergia terá uma capacidade instalada estimada em 22 MWp (megawatt-pico) e contará com um sistema de armazenamento elétrico capaz de armazenar até 49 MWh (megawatt-hora). Segundo a empresa, essa capacidade será suficiente para atender cerca de nove mil residências com base no consumo médio projetado.
Fernando de Noronha abriga áreas protegidas sob a administração do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O processo de licenciamento ambiental para a instalação foi realizado pela Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), que obteve aprovação do ICMBio, responsável pela gestão ambiental da região federal protegida.
Além das iniciativas voltadas à geração elétrica, o projeto Noronha Verde também incluirá melhorias nas infraestruturas locais, como recuperação dos acessos e aprimoramento das redes elétricas existentes.
Dados fornecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) revelam que a energia solar já atingiu mais de 60 gigawatts em capacidade instalada no Brasil. Esse crescimento posiciona o país entre os principais mercados globais dessa fonte energética e supera as previsões feitas pela Agência Internacional de Energia (IEA) para o ano de 2027.
Esse avanço no setor solar é impulsionado, em parte, pelos incentivos fiscais oferecidos pelo governo brasileiro, que diminuem tributos federais sobre essa forma energética. Além disso, há estímulos para projetos por meio do REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura), que suspende a cobrança do PIS/PASEP e COFINS sobre compras relacionadas a materiais e serviços necessários para projetos estruturais.
- Leia também: 68 gigawatts de energia: Brasil alcança marco mundial e ultrapassa previsões de capacidade solar instalada – Revista Fórum
