O futuro da energia: tecnologia verde promissora avança na Europa e pode transformar o Brasil com sustentabilidade e baixo custo

A transição energética na Europa está promovendo o surgimento de uma nova cadeia de fornecimento: o biometano. Essa tendência é impulsionada pela recente atualização do sistema ISCC (International Sustainability and Carbon Certification), que é a principal certificação de sustentabilidade para biomassa e combustíveis renováveis no continente europeu.

As mudanças nas diretrizes foram implementadas no final de 2025 e introduzem requisitos mais rigorosos em relação à rastreabilidade, propriedade, comprovação documental e ao balanço de massa do biometano comercializado na região.

O biometano, que é obtido a partir do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos, substitui combustíveis fósseis em setores como transporte e indústria, com a capacidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 90%. No Brasil, essa produção é predominantemente oriunda dos resíduos da indústria sucroenergética, dejetos suínos e resíduos urbanos.

No cenário atual, a Europa se destaca como a maior produtora global desse insumo, com aproximadamente 5 bilhões de metros cúbicos por ano. O continente conta com mais de 1.600 plantas operacionais, gerando mais de 44 TWh de energia. Aproximadamente 58% dessas instalações estão conectadas à rede de distribuição de gás e 19% à rede de transmissão.

A nova regulamentação do ISCC enfatiza a importância da auditoria na origem do gás, o rastreamento físico da molécula, a titularidade dos certificados ambientais e a integridade dos acordos comerciais. Essas normas mais rigorosas prometem transformar as dinâmicas comerciais deste recurso energético.

Com base em informações da Agência Internacional de Energia (IEA), estima-se que o biometano terá um papel cada vez mais relevante na segurança energética da Europa após a crise provocada pela guerra na Ucrânia. A União Europeia definiu um objetivo ambicioso: alcançar a produção de 35 bilhões de metros cúbicos desse combustível até 2030 através do plano REPowerEU, destinado a diminuir a dependência do gás proveniente da Rússia.

O Brasil possui uma das maiores quantidades disponíveis de biomassa no mundo e é apontado como um mercado promissor para o crescimento do biometano.

Conforme dados da Associação Brasileira do Biogás (Abiogás), o potencial técnico para produção diária no Brasil supera os 120 milhões de metros cúbicos, o que representa mais de 40% do atual consumo nacional de gás natural.

Esse potencial está intimamente relacionado ao agronegócio brasileiro, especialmente pelos resíduos gerados pela cana-de-açúcar, suinocultura, bovinocultura, produção etanol e tratamento dos resíduos urbanos.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já autorizou diversas plantas para produzir biometano no Brasil. Essas instalações estão distribuídas principalmente nos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais.

A Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024 no Brasil, introduziu mecanismos para fomentar o mercado interno de combustíveis com baixa emissão e promover uma maior integração entre biometano, SAF (Sustainable Aviation Fuel) e hidrogênio verde.

Além disso, iniciativas como o Programa Metano Zero e outros projetos estaduais têm incentivado o aproveitamento energético dos resíduos agroindustriais e urbanos.

No momento atual, observa-se um crescimento significativo na produção de biometano no Brasil, que deve aumentar aproximadamente 215% até 2027 com a instalação prevista de pelo menos 35 novas usinas. O estado paulista lidera essa produção nacional concentrando cerca de 40% do total atualmente produzido.

O biometano apresenta-se como uma alternativa viável ao diesel e tende a ganhar ainda mais relevância à medida que os regulamentos internacionais sobre descarbonização avançam. A matriz energética brasileira é notavelmente marcada pelas usinas que produzem açúcar e álcool, também utilizadas para gerar o biogás necessário para extrair o biometano.

Globalmente, espera-se que o mercado de biometano cresça significativamente: passando dos US$ 6,95 bilhões em 2025 para cerca de US$ 10,74 bilhões até 2034. Isso representa uma taxa anual composta (CAGR) estimada em 4,97%. Apesar da expansão das cadeias produtivas europeias neste setor, os Estados Unidos mantêm sua posição como os principais produtores mundiais desde 2019.

A China ocupa a terceira posição com uma produção anual aproximada de 81 TWh, seguida pelo Reino Unido com cerca de 32 TWh e pela França com aproximadamente 25 TWh.

By Bauru Report

Você Pode Gostar!