Com o lançamento de “Supergirl”, os super-heróis estão de volta às telonas, marcando a continuidade do DCU (universo cinematográfico da DC), iniciado com “Superman” no ano anterior. Este filme da heroína é o único grande lançamento desta quinta-feira (25/6), em um momento em que as salas de cinema se mostram animadas com o sucesso de “Toy Story 5” e se preparam para a estreia de “Minions e Monstros”. Além disso, a programação inclui dramas do circuito “de arte” que foram exibidos em festivais renomados como Cannes e Veneza, além do terror mediano intitulado “Segredo Obscuro”.
🎞️ SUPERGIRL
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A nova fase cinematográfica da DC traz Kara Zor-El, uma heroína cuja origem possui traumas mais profundos do que os de Superman. Milly Alcock, conhecida por seu papel em “A Casa do Dragão”, interpreta a prima de Kal-El, que cresceu entre as ruínas de Krypton e carrega cicatrizes emocionais que a tornaram cínica, impulsiva e relutante em aceitar o estereótipo da salvadora. A narrativa é inspirada nos quadrinhos “Supergirl: Mulher do Amanhã”, escritos por Tom King e Bilquis Evely, seguindo Kara em sua busca por diversão espacial, que é interrompida quando Ruthye Marye Knoll, interpretada por Eve Ridley, aparece pedindo justiça pela morte de sua família.
A missão ganha um caráter pessoal quando Krem das Colinas Amarelas, vivido por Matthias Schoenaerts (“The Old Guard”), envenena Krypto, o fiel cão da heroína. Essa sede de vingança estabelece o conflito central: uma heroína quase invulnerável, mas sem paciência para a pureza moral esperada dela. Para apimentar a trama, Jason Momoa (“Aquaman”) faz uma participação como Lobo, um caçador de recompensas intergaláctico que leva a narrativa para um território mais violento e sarcástico do que aquele visto em “Superman”.
Milly Alcock brilha como o coração emocional da história, enquanto Momoa infunde humor e caos na trama que mistura aventura cósmica com brutalidade e drama pessoal. O resultado é um reposicionamento de Supergirl, afastando-a da imagem de uma simples versão feminina de Superman e apresentando-a como uma personagem com identidade própria dentro do DCU.
O filme vem após o sucesso estrondoso de “Superman”, dirigido por James Gunn, que arrecadou impressionantes US$ 618 milhões globalmente. Com um tom mais sombrio e referências a “Mad Max”, “Supergirl” é dirigido por Craig Gillespie (“Cruella”) e tem roteiro elaborado pela novata Ana Nogueira (atriz em “The Vampire Diaries”). A qualidade da história impressionou tanto Gunn, presidente dos DC Studios, que Nogueira foi convidada para assumir diversos projetos no estúdio, incluindo os próximos filmes dos Titãs e da Mulher-Maravilha.
🎞️ SEGREDO OBSCURO
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Dirigido por Max Minghella (“Teen Spirit”), este terror corporal traz à tona temas semelhantes aos abordados em “A Substância” (2024), refletindo sobre a obsessão de Hollywood pela juventude e pela beleza estética. Elisabeth Moss estrelam como Samantha Lake, uma atriz em declínio cuja carreira está sendo ofuscada pelo surgimento de rostos mais jovens no mercado.
A pressão profissional leva Samantha ao universo de Zoe Shannon, CEO interpretada por Kate Hudson (“Como Perder um Homem em 10 Dias”), que promete transformação física como solução para recuperar seu espaço na indústria. No entanto, sob a fachada glamourosa da clínica onde trabalha existem desaparecimentos misteriosos e procedimentos experimentais que revelam uma lógica consumista acerca do corpo feminino. O filme explora como essa promessa de autocuidado se transforma em uma conspiração corporativa.
O roteiro escrito por Jack Stanley (“Carona Aterrorizante”) combina sátira à indústria da beleza com elementos de comédia sombria e body horror, abordando o filão dos filmes sobre juventude artificial. Kaia Gerber (“Bottoms”) também faz parte do elenco como uma jovem estrela cuja presença amplifica as inseguranças da protagonista.
<p“Segredo Obscuro” foi exibido no Festival de Toronto e recebeu críticas mistas: alguns críticos elogiaram a energia camp proporcionada pela atuação de Hudson e o potencial da premissa; entretanto, o filme enfrenta comparações desfavoráveis com “A Substância”.
🎞️ UMA INFÂNCIA ALEMÃ
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No drama histórico dirigido pelo renomado Fatih Akin (“Soul Kitchen”), a narrativa se desenrola na ilha de Amrum durante os últimos dias da Segunda Guerra Mundial. Jasper Billerbeck estreia no papel de Nanning, um garoto de 12 anos envolvido com a Juventude Hitlerista que aguarda ansiosamente o retorno do pai militar enquanto ajuda sua mãe na fazenda e pesca à noite.
A guerra parece distante naquela paisagem isolada até que as notícias sobre as derrotas nazistas começam a impactar sua vida familiar. A missão pessoal do garoto para conseguir pão branco, manteiga e mel — luxos escassos naquela época — transforma-se em uma travessia moral ao perceber que a ideologia recebida não condiz com os silêncios ou medos dos vizinhos. Diane Kruger retorna ao lado do diretor interpretando Tessa, uma fazendeira antifascista que oferece ao menino outra perspectiva sobre seu país devastado.
O roteiro é coescrito por Akin e Hark Bohm — colaborador frequente — baseado nas memórias infantis deste último na ilha. Apresentado em Cannes, “Uma Infância Alemã” foi elogiado por sua abordagem clássica dentro da filmografia do diretor ao contrastar beleza natural com colapso moral. O filme se destaca ao retratar o fim do nazismo sob o olhar inocente de uma criança ainda sem compreensão sobre sua própria herança culposa.
🎞️ UM TRISTE E BELO MUNDO
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Neste romance libanês são exploradas três décadas repletas de amor, perdas e deslocamentos na cidade de Beirute. Dirigido por Mounia Akl (“Costa Brava, Líbano”), Yasmina é interpretada pela atriz pragmática Mounia Akl enquanto Hasan Akil vive Nino — um idealista conectado à permanência. O casal se conhece na juventude, enfrenta separações e reencontros enquanto ponderam sobre construir suas vidas no Líbano ou buscar oportunidades fora dele.
A relação entre Nino e Yasmina navega pelas crises locais sem transformar o filme numa mera representação didática. O drama foca na intimidade entre duas pessoas lutando para responder se amor e esperança são suficientes quando a realidade os empurra para longe um do outro. Julia Kassar (“Caramelo”) e Camille Salameh (“O Insulto”) completam o elenco numa narrativa que alterna momentos cômicos com desencanto sem ignorar as implicações políticas presentes no cotidiano.
This film marks Cyril Aris’s directorial debut in fiction after winning acclaim for his documentary “Dancing on the Edge of a Volcano” (2023). He also penned the script based on his personal experiences growing up in a country seen through the lens of constant crisis. The film won the audience award at the Author’s Journey section of the Venice Film Festival and was selected by Lebanon to compete for an Oscar nomination in the international film category.
🎞️ O SOL NASCE PARA TODOS
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No novo drama dirigido pelo cineasta chinês Cai Shangjun (“People Mountain People Sea”), acompanhamos um casal marcado por um crime que nunca conseguiram superar. Xin Zhilei (“Blossoms Shanghai”) interpreta Meiyun — proprietária de uma loja em Guangzhou — grávida de Qifeng (Feng Shaofeng), homem casado cuja rotina muda drasticamente quando Baoshu (Zhang Songwen), seu ex-namorada aparece após cumprir sete anos atrás das grades devido a algo pelo qual ela é responsável.
Esse reencontro não traz alívio nem para Baoshu nem para Meiyun; ele retorna esperando algum tipo reconhecimento pelo sacrifício feito ao longo dos anos encarcerados enquanto ela vive agora outra vida ao lado de outro homem incapaz ainda lidar com suas emoções passadas. O antigo vínculo entre eles se transforma numa cobrança contínua: ele busca sentido para os anos perdidos enquanto ela tenta manter sua nova vida erguida sob um peso emocional persistente.
O roteiro evita clichês típicos sobre reconciliação romântica. Com cinematografia assinada por Kim Hyun-seok — colaborador habitual em obras premiadas — ele captura longas discussões urbanas onde cada palavra parece chegar tarde demais. Apresentado na competição principal em Veneza, esse trabalho rendeu à atriz Xin Zhilei a Copa Volpi pela Melhor Atriz.
🎞️ APENAS COISAS BOAS
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No retorno à Catalão — sua cidade natal localizada no interior goiano — Daniel Nolasco (“Vento Seco”) apresenta um romance rural entre dois homens ambientado em 1984. Lucas Drummond assume o papel de Antonio, um pequeno agricultor na região cortada pelo rio São Marcos onde poucos lares estão espalhados entre pastagens agrícolas. Sua vida tranquila muda radicalmente quando Marcelo (Liev Carlos) sofre um acidente motociclista nas proximidades.
A aproximação começa com cuidados práticos pós-acidente mas evolui conforme Marcelo permanece na casa recuperando-se sob os cuidados dele. Nolasco desafia estereótipos tradicionais envolvendo caubóis ou motociclistas inserindo-os num contexto afetivo carregado tensionamento emocional visível especialmente na segunda parte ambientada quatro décadas depois quando Antonio é vivido pelo ator Fernando Libonati (“Do Começo ao Fim”). Essa transição vai além da troca no elenco refletindo mudanças significativas desde então até Goiânia.
O filme teve sua estreia no Festival Internacional Guadalajara passou pelo Frameline em São Francisco conquistando três prêmios no festival Olhar de Cinema nas categorias Melhor Roteiro Som Direção Arte.
