Irã responde a Trump com promessa de ataques devastadores contra EUA e Israel

Novas explosões sacudiram o Irã nesta quinta-feira (2), após as ameaças de bombardeios intensos do presidente americano Donald Trump, enquanto Teerã promete ataques “devastadores” contra os Estados Unidos e Israel.

Após mais de um mês de conflito, que deixou milhares de mortos em todo o Oriente Médio, o Exército israelense anunciou que interceptou mísseis procedentes do Irã e de seu aliado libanês, o Hezbollah, em plena Páscoa judaica.

O Exército iraniano prometeu executar ataques “devastadores” contra Israel e os Estados Unidos “até a sua humilhação, desonra, arrependimento permanente e seguro, e rendição”.

A ameaça foi a resposta ao discurso de quarta-feira à noite de Donald Trump, que prometeu bombardear a República Islâmica por mais duas ou três semanas até que o país retorne à “Idade da Pedra”.

“Trump diz muitas coisas. É muito difícil ler a mente dele, parece que muda de opinião o tempo todo, então não é possível prever o que vai acontecer. Mas abandonar a guerra nesta situação é uma vitória para a República Islâmica”, lamentou um morador de Teerã, operador da Bolsa, de 30 anos, em declarações à AFP.

O discurso de Trump de quarta-feira foi o primeiro desde o início da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos em 28 de fevereiro e esfriou qualquer esperança de desescalada nas Bolsas e no mercado de petróleo.

A guerra desestabiliza a economia mundial, em particular devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica para o petróleo do Golfo.

Em Teerã, os bombardeios provocaram danos consideráveis no Instituto Pasteur do Irã e várias explosões foram relatadas em diferentes bairros.

O Irã segue atacando os aliados dos Estados Unidos. O governo dos Emirados Árabes Unidos anunciou que interceptou 19 mísseis e 26 drones nesta quinta-feira.

– Celebrações em meio a bombardeios –

Alguns moradores de Teerã aproveitaram o último dia das festividades de Noruz, o Ano Novo persa, no parque Mellat.

Contudo, um morador da capital, que não quis se identificar, descreveu como a vida diária na cidade foi alterada “com mais agentes da Guarda Revolucionária por aí”.

Ele acredita que os agentes estão nas ruas “para mostrar às pessoas que continuam no poder e nada vai mudar”, acrescentou.

As forças do Irã prosseguiram com o lançamento de projéteis contra Israel, que anunciou um balanço de quatro pessoas levemente feridas na região de Tel Aviv.

A situação obrigou muitos israelenses a celebrar a Páscoa judaica no subsolo para evitar os ataques iranianos.

“Esta não era minha primeira opção”, afirmou um escritor que se identificou apenas como Jeffrey em um bunker em Tel Aviv. “Mas, pelo menos aqui no abrigo, podemos sentar e esperar que passe”, acrescentou.

– Ameaça nuclear –

Trump voltou a afirmar em seu discurso que Washington está “próximo de cumprir” seus objetivos e justificou a guerra pela necessidade de impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.

O embaixador iraniano na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Reza Najafi, declarou à AFP que Teerã não retomou o enriquecimento de urânio após os bombardeios de Israel e dos Estados Unidos de junho de 2025 contra algumas instalações.

Najafi chamou as acusações americanas de “grande mentira”.

Diante do impasse, o secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu que o conflito no Oriente Médio pode se transformar em uma guerra mais ampla e pediu o cessar imediato dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, assim como das agressões iranianas contra seus vizinhos.

– Reunião sobre Ormuz –

A Guarda Revolucionária do Irã prometeu manter o estratégico Estreito de Ormuz fechado aos “inimigos” do país.

Antes da guerra, 20% das exportações mundiais de petróleo bruto trafegavam por esta via marítima. Os preços do petróleo, que haviam registrado queda na quarta-feira com a esperança de uma desescalada, voltaram a subir após o discurso de Trump, superando a cotação de 108 dólares por barril de Brent, referência mundial do setor.

Os efeitos econômicos da guerra são sentidos em diversos setores.

O Reino Unido organizou uma reunião de quase 40 países nesta quinta-feira para discutir como restabelecer a navegação no estreito.

“Contamos com mais de 40 países para debater sobre o Estreito de Ormuz, as consequências do seu fechamento, a necessidade urgente de restabelecer a liberdade de navegação para o transporte marítimo internacional”, declarou a ministra britânica das Relações Exteriores, Yvette Cooper, que preside a reunião.

A China afirmou que os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã constituem uma violação do direito internacional.

Os aiatolás, que reprimiram com grande violência as manifestações antigovernamentais em dezembro e janeiro, ainda possuem apoiadores incondicionais.

“Esta guerra já dura um mês. Demore o tempo que precisar demorar, seguiremos em frente”, afirmou Musa Nowruzi, um aposentado de 57 anos, durante o funeral em Teerã de um comandante naval da Guarda Revolucionária morto durante um ataque israelense. “Resistiremos até o fim”, disse.

© Agence France-Presse

By Bauru Report

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