Combustível de aviação na Europa tem validade de seis semanas, revela líder da AIE

A Agência Internacional de Energia (AIE), uma entidade vinculada à OCDE que visa promover a segurança no setor energético, emitiu um alerta nesta sexta-feira, dia 16, sobre o abastecimento de petróleo na Europa. O diretor da agência, Fatih Birol, afirmou que o continente pode enfrentar a exaustão de seu combustível para aviação nas próximas semanas.

A atual escassez é atribuída à crise no fornecimento de petróleo provocada pelo conflito entre os Estados Unidos e Israel com o Irã, que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte dessa commodity global desde março.

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Desde o início desse conflito, os preços do petróleo bruto referencial mundial dispararam mais de 20% ao longo do ano, e as exportações internacionais de petróleo diminuíram cerca de 75%, impactando significativamente os maiores consumidores do petróleo árabe, especialmente na Ásia e na Europa.

Fatih Birol informou que, considerando os estoques ainda disponíveis de combustível para aviação, a Europa poderia manter seu abastecimento aéreo por mais seis semanas. No entanto, se a situação no Golfo Pérsico não se normalizar rapidamente, as consequências econômicas poderão ser mais severas do que se imagina.

Segundo dados da AIE, a Europa depende da importação de aproximadamente 90% do petróleo que consome. Após a invasão russa da Ucrânia e as sanções impostas pela União Europeia às importações de petróleo russo – seu principal fornecedor – o continente tornou-se ainda mais vulnerável a choques externos relacionados às commodities energéticas.

O querosene de aviação representa até 12% do total dos derivados de petróleo utilizados na Europa e, em 2024, sua demanda aumentou em função da recuperação dos níveis de tráfego aéreo ao patamar pré-pandemia.

A demanda diária é próxima a 1,5 milhão de barris, volume que depende fortemente das importações provenientes do Oriente Médio e das cadeias produtivas associadas a esses insumos.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) é responsável pela produção de até 40% do petróleo mundial, grande parte destinada à Europa. A maior parte das exportações dos membros da Opep – incluindo Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque – passa pelo Estreito de Ormuz.

Os efeitos da crise não se restringem apenas ao setor aéreo; há uma previsão de aumento nos preços da eletricidade e gás natural devido à influência indireta que o petróleo exerce sobre os mercados energéticos europeus já pressionados.

A AIE destaca que a recuperação da produção energética no Golfo Pérsico pode demorar até dois anos e está sujeita a novos riscos relacionados à oferta devido à desestabilização dos fluxos globais do petróleo.

A situação poderá ser ainda mais grave em economias em desenvolvimento na Ásia e na África, além de afetar alguns países da América Latina que são particularmente dependentes das importações, conforme observa Birol.

No entanto, o impacto imediato será sentido principalmente na Europa. A declaração do chefe da AIE serve como um alerta para a administração de Donald Trump, que anunciou um novo bloqueio ao Estreito em 12 de abril.

Estudos no setor energético indicam que a inflação gerada pelo fechamento deste importante canal pode ter efeitos inflacionários similares aos provocados pela pandemia de Covid-19, afetando prazos agrícolas e outras cadeias produtivas dependentes dos combustíveis fósseis.

Neste cenário complicado, os aeroportos europeus estão operando com “reservas” limitadas de combustível enquanto a União Europeia se prepara para enfrentar uma potencial crise no abastecimento.

By Bauru Report

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