A Folha de S.Paulo continua a ser o que sempre foi. Quem não se recorda da polêmica ficha falsa de Dilma na eleição de 2010? Embora a abordagem tenha mudado, o intuito parece ser o mesmo: influenciar a percepção do público em benefício de interesses particulares.
Recentemente, essa estratégia se manifestou na cobertura sobre a posição do PL, partido ligado a Flávio Bolsonaro, referente ao término da escala 6×1.
Na chamada principal, o veículo optou por um título técnico: “PL exige novo regime de contratação e compensação”. Essa formulação, convenhamos, é vaga — ou quase irrelevante — quando se considera o impacto real da proposta do partido de extrema direita.
No entanto, ao analisarmos o título utilizado para indexação no Google, a situação se transforma.
Nesse contexto, a proposta é apresentada de maneira clara: PL apoia o fim da escala com redução de salários.
Ou seja, para o algoritmo, há transparência. Porém, para o leitor, há um eufemismo.
Essa discrepância não é insignificante.
Ela revela uma escolha editorial que pode moldar a maneira como as pessoas entendem — ou deixam de entender — a questão em pauta.
A proposta do PL inclui a diminuição da jornada de trabalho acompanhada pela redução dos salários, além de incentivos fiscais para as empresas. Em suma, isso resulta em menos rendimento para os trabalhadores e possíveis vantagens tributárias para os empregadores.
No entanto, essas informações não são apresentadas com a mesma clareza na parte principal da notícia.
O problema transcende apenas o que é divulgado; diz respeito à forma como isso é feito.
E em tempos de intensa competição e alta desinformação, essa diferença se torna crucial.
