DJI revela duração média de voo dos drones, e o contraste com a capacidade máxima impressiona

A DJI implementou uma nova abordagem em relação às especificações técnicas de seus drones. Agora, além de divulgar o tempo máximo de voo, a empresa também apresenta o tempo típico de voo, que é calculado em condições que refletem melhor o uso real.

Essa alteração já está visível nos modelos mais novos e suscita uma importante dúvida: a variação entre as duas medições é significativa.

Alterações nas especificações

Durante muitos anos, a DJI divulgou apenas a duração máxima de voo, obtida em condições controladas de túnel de vento. Esses testes consideravam um ambiente sem vento, altitude ao nível do mar, velocidade constante do drone e configuração da câmera para fotografia, sem gravação de vídeo. Essa situação raramente se replica na prática.

O novo tempo típico de voo, agora incluído nas especificações dos modelos recentes, adota uma metodologia distinta: os testes são realizados ao nível do mar em ambientes com brisa, utilizando uma bateria totalmente carregada e a câmera gravando em 4K/60fps. O drone decola subindo até 120 metros e percorre 1 km a uma velocidade de 12 m/s, com ajustes contínuos no gimbal e na posição ao longo de aproximadamente 2 km.

Depois disso, o drone permanece no ar até que o sistema de retorno automático (RTH) seja ativado.

Dados nos modelos Lito e Mini 5 Pro

A linha DJI Lito foi a primeira a incluir essa informação publicamente. Os dados demonstram uma diferença substancial entre os números apresentados pela empresa ao longo dos anos e as expectativas reais dos usuários durante voos práticos.

No caso do DJI Mini 5 Pro, a discrepância na bateria padrão é notável: o tempo típico é de 21 minutos, representando uma redução de 41% em comparação aos 36 minutos anunciados como máximo. Para os modelos Lito, essa diferença gira em torno de 36% com a bateria padrão e 29% com a versão Plus.

É importante destacar que os testes para determinar o tempo típico nos Lito consideraram uma velocidade de cruzeiro de 12 m/s, enquanto o Mini 5 Pro foi testado a 15 m/s, fator que contribui para um maior consumo nesse último modelo.

Explicação para essa diferença

A metodologia empregada para determinar o tempo máximo visa apresentar o melhor resultado possível dentro dos parâmetros técnicos aceitáveis.

No cenário onde não há gravação de vídeo, tanto a câmera quanto o processador consomem consideravelmente menos energia. Em ambientes sem vento, os motores operam em níveis mínimos necessários para manter a altitude e velocidade constantes. Ausência de movimentos no gimbal ou variações na trajetória evita picos no consumo energético.

No entanto, durante um voo real, todos esses fatores estão presentes simultaneamente: gravação contínua em alta resolução, compensação contra ventos, subidas e descidas, frenagens e ajustes na estabilização. O resultado inevitável é uma autonomia muito inferior àquela anunciada.

Uma tendência que tende a se expandir

A ainda não totalidade das páginas de especificações da DJI foi atualizada com a inclusão do tempo típico de voo.

Drones como o DJI Flip, o DJI Neo 2 e versões anteriores da linha Mini continuam apresentando apenas os dados máximos disponíveis. Contudo, há uma expectativa crescente para que a fabricante amplie essa transparência para outros modelos da sua linha, visto que as linhas Lito e Mini 5 Pro já indicam uma nova abordagem na comunicação sobre autonomia.

Para os consumidores, conhecer o dado típico é extremamente útil ao planejar filmagens. Compreender que um drone com bateria padrão oferece cerca de 20 a 23 minutos efetivos de voo sob condições reais altera completamente as decisões sobre quantas baterias levar e quanto tempo reservar para cada localidade, além da avaliação sobre investir na versão Plus.

Essa prática é comum no setor?

A divulgação transparente do tempo real de uso ainda é rara no mercado de drones voltados para consumidores.

<p Fabricantes do setor de smartphones enfrentaram críticas semelhantes sobre a autonomia das baterias por muitos anos até que metodologias mais precisas foram introduzidas por órgãos como DXOMARK e publicações especializadas para complementar os dados oficiais.

No campo dos drones, testes independentes já desempenham esse papel há algum tempo; entretanto, a iniciativa da própria DJI em publicar esses dados representa um passo significativo que pode ser seguido pela indústria como um todo.

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A honestidade como diferencial competitivo

Anunciar um número inferior voluntariamente pode parecer uma estratégia contrária às práticas comuns do marketing; porém, a DJI acredita que pilotos experientes já reconhecem que o tempo máximo é teórico. A transparência pode gerar mais credibilidade do que números inflacionados.

No caso daqueles que estão adquirindo seu primeiro drone, ter acesso ao tempo típico ajuda a evitar frustrações logo nas primeiras experiências práticas; expectativas bem alinhadas tendem a resultar em maior satisfação com o produto do que promessas difíceis de serem cumpridas fora das condições laboratoriais.

By Bauru Report

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