A colaboração entre Apple e Intel se tornou mais clara na última quinta-feira (14).
Novas informações sugerem quais litografias da Intel serão utilizadas para desenvolver dois chips da Apple nos próximos anos. O Apple M7, por exemplo, deve iniciar sua produção em larga escala no final de 2027 através do processo Intel 18A-P, que pertence à categoria de 1,8 nm. Além disso, um chip destinado aos iPhones, possivelmente chamado A21, deverá ser fabricado pela Intel em 2028 utilizando a tecnologia Intel 14A, com uma litografia de 1,4 nm.
A revelação foi feita pelo analista Jukan (@jukan05 no X), que mencionou informações obtidas durante uma teleconferência mensal da GF Holdings Hong Kong (GFHK).
Investigações indicam que o contrato entre a Apple e a Intel foi assinado em dezembro de 2025, meses antes da confirmação preliminar divulgada na semana passada.
Saturação da TSMC leva Apple a buscar alternativas
A necessidade de diversificar fornecedores é consequência direta da crescente demanda por chips focados em inteligência artificial, que está sobrecarregando a capacidade produtiva da TSMC, fornecedora exclusiva da Apple há mais de dez anos.
Com as altas encomendas de empresas como NVIDIA e AMD consumindo toda a capacidade disponível, a fabricante taiwanesa enfrenta dificuldades para atender ao volume de produção exigido pela Apple para seus iPhones e Macs.
Essa situação já é visível nos preços dos produtos da Maçã, que aumentaram nos últimos meses, levando também à necessidade de reprogramar alguns lançamentos. Um relatório indica que a saturação na capacidade produtiva é um fator chave na decisão da Apple em buscar um segundo fornecedor.
Aspecto político envolvido
A negociação tem um componente político relevante. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria pessoalmente defendido a utilização dos serviços da Intel durante uma conversa com Tim Cook, CEO da Apple, na Casa Branca.
A declaração atribuída ao presidente foi clara:
“Eu gosto da Intel. O governo obteve lucros bilionários com o acordo com a Intel, e o apoio do governo à empresa tem atraído parceiros importantes.”
A política “Made in US” para semicondutores ganhou força durante a administração Trump, resultando em investimentos governamentais na Intel e atraindo colaborações com empresas como a NVIDIA, que injetou US$ 5 bilhões na companhia em 2025 para o desenvolvimento de um SoC x86 com gráficos RTX.
Além disso, o projeto Terafab, liderado por Elon Musk, também incluiu a Intel como fornecedora.
M7 inicia parceria em 2027
O primeiro chip produzido pela Intel para a Apple deverá ser o M7, um processador da linha M-Series destinado aos MacBooks e iPads. De acordo com o cronograma apresentado pela GFHK, sua produção em massa está prevista para começar no final de 2027 utilizando a litografia Intel 18A-P, uma versão aprimorada do processo original 18A com melhorias voltadas para clientes externos.
A Intel já havia compartilhado resultados positivos sobre o 18A-P em uma publicação técnica recente, destacando até 9% mais desempenho sob a mesma potência e uma condução térmica até 50% superior em relação ao 18A. Esses dados posicionam o novo nó da Intel competitivamente ao lado do TSMC N2, tornando sua oferta tecnicamente viável para a Apple.
A escolha do M7 como ponto inicial dessa parceria é lógica do ponto de vista logístico. Os Macs têm vendas inferiores às dos iPhones, reduzindo assim os riscos caso ocorram atrasos ou problemas de produção na Intel.
Análises feitas pelo especialista Ming-Chi Kuo indicam vendas anuais entre 15 e 20 milhões de unidades para Macs e iPads em 2026 e 2027 — um volume considerável mas gerenciável para um cliente que está iniciando uma nova parceria.
A21 chega ao iPhone com tecnologia Intel 14A
A próxima fase envolve um chip projetado para smartphones que deve ser lançado em 2028.
A GFHK não confirma se este chip será o A21, nome esperado para o processador do iPhone previsto para 2027. Contudo, analistas anteriores haviam levantado a possibilidade de que a Intel fabricasse as versões não-Pro da linha A-Series. As versões Pro devem continuar sendo produzidas pela TSMC.
A nova litografia Intel 14A representa um avanço significativo em relação ao 18A: documentos técnicos apontam ganhos de desempenho entre 15 e 20%, aumento de 30% na densidade dos transistores, além de uma redução no consumo energético de 25%.
“Se esses números forem confirmados durante a produção em massa, colocariam a Intel alinhada ou até ligeiramente à frente do TSMC N2P/A16, que começará sua produção em 2027.”
Intel Foundry busca validação no mercado
No contexto atual, estabelecer uma parceria com a Apple representa mais uma conquista estratégica do que financeira no curto prazo para a Intel.
A divisão Intel Foundry enfrentava dificuldades ao tentar atrair clientes externos significativos; ter a Apple como parceira agrega valor à imagem da empresa e pode incentivar outras companhias a considerarem o time azul como segundo fornecedor.
Sob liderança do CEO Lip-Bu Tan, que assumiu após Pat Gelsinger deixar o cargo em março de 2025, houve sinais anteriores de ceticismo quanto à viabilidade comercial do processo 18A. A entrada da Apple — juntamente com acordos firmados com NVIDIA e o projeto Terafab — melhorou essa percepção interna sobre as perspectivas futuras da divisão.
Um paradoxo competitivo: Apple vs Intel no varejo
A parceria traz à tona um paradoxo interessante: enquanto colabora com a Apple, a Intel vem atacando agressivamente os produtos como o MacBook Neo, linha de notebooks equipada com chip A18 que entrou no mercado PC.
A resposta da Intel inclui colaborações com Google nos novos modelos chamados Googlebooks, equipados com chips desenvolvidos pela própria empresa. Além disso, estão desenvolvendo o projeto Wildcat Lake, direcionado ao segmento cotidiano de PCs.
Ironicamente, agora a Intel fabricará chips que competem diretamente no mesmo setor onde atua seu cliente — isso permite à Apple expandir sua capacidade produtiva enquanto diversifica seus riscos. Para a Intel, representa tanto uma fonte adicional de receita quanto uma validação técnica importante. O equilíbrio entre esses objetivos é fundamental nos termos acordados entre as duas empresas.
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Histórico recente das relações entre as empresas
No passado recente, Apple e Intel colaboraram estreitamente… De 2006 até 2023, todos os Macs eram equipados com processadores fabricados pela Intel até que a Apple decidiu desenvolver seus próprios chips baseados na arquitetura ARM.
Também houve tentativas frustradas anteriormente por parte da Intel de produzir os SoCs das linhas A-Series; segundo relatos, Tim Cook teria comentado com Morris Chang — fundador da TSMC — que “a Intel simplesmente não sabe operar como fundição”.
Diante desse histórico complexo, essa aproximação atual assume simbolismo significativo: não se trata apenas de escolher um novo fornecedor; trata-se de acreditar que a Intel progrediu suficientemente para fabricar chips avançados necessários ao portfólio da Apple.
Análises internas realizadas pela Apple confirmaram as promessas feitas pela Intel sobre o desempenho através do acordo prévio firmado meses antes do contrato oficializar troca das amostras dos kits voltados à litografia 18A-P.
A mudança também representa parte integrante de uma transformação maior na cadeia global dos semicondutores. A escassez nas wafers combinada ao crescimento explosivo impulsionado pela IA e pressões geopolíticas levou até mesmo empresas como a Apple — historicamente leal à TSMC — reconsiderarem suas estratégias de fornecimento. A inclusão da Intel como segundo fabricante diminui os riscos associados à dependência única desse fornecedor.
Cabe ressaltar que ainda não há confirmação oficial sobre este acordo; tanto a Apple quanto a Intel não se pronunciaram publicamente acerca dos termos assinados em dezembro de 2025. O próprio Jukan observa que os prazos divulgados pela GFHK são estimativas sujeitas a alterações antes do início efetivo da produção em massa.
Dessa forma,o cronograma permanece firme até que efetivamente comece produção inicial do M7 nas instalações da Intel— prevista apenas para o segundo semestre de 2027.
