Música e política: roqueiros se uniram em apoio a Lula, afirmando que a luta vai além das urnas

Rock se manifesta na corrida presidencial

A fase decisiva das eleições presidenciais de 2026 mobilizou músicos de rock de diversas gerações e estilos em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Este movimento conta com a adesão de artistas internacionais, como The Strokes, Tom Morello do Rage Against the Machine, e Oliver Sykes do Bring Me the Horizon, além de nomes brasileiros como Titãs, Pitty, João Gordo e Eloy Casagrande, baterista do Slipknot. A onda de apoio se intensificou nos últimos dias, com vídeos, declarações de voto e postagens nas redes sociais às vésperas do segundo turno, agendado para 25 de outubro, onde Lula enfrentará Flávio Bolsonaro (PL).

Dizendo o que pensam os roqueiros internacionais

No dia 14 de outubro, The Strokes manifestou seu apoio ao presidente em uma postagem no Instagram. A banda americana publicou uma foto antiga de Lula diante de uma multidão, acompanhada por uma estrela vermelha com o nome do candidato e utilizou a canção “Oblivius (Moretti Remix)”, produzida pelo baterista brasileiro Fabrizio Moretti. Lula respondeu à manifestação: “Companheiros do @thestrokes, o povo brasileiro sabe what side we are standing on. Estamos do lado da democracia, do trabalhador e da esperança. Bora, gente!”. O grupo retornará ao Brasil em dezembro como parte da programação do Primavera Sound em São Paulo.

No dia anterior, Tom Morello fez um apelo direto aos eleitores brasileiros em um vídeo: “Brasil, o mundo está de olho. Esta não é apenas uma eleição; é uma luta na linha de frente contra o fascismo e a oligarquia”, afirmou o guitarrista. Em sua mensagem, ele também defendeu os direitos dos trabalhadores e a proteção ambiental antes de solicitar votos para Lula. O vídeo foi produzido em colaboração com Pitty, Tony Bellotto dos Titãs, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e a historiadora Laura Sabino, além de contar com apoio de outros músicos.

Metal também se posiciona

Oliver Sykes, vocalista da banda britânica Bring Me the Horizon, foi outro a externar sua opinião ao compartilhar um manifesto do fã-clube brasileiro da banda em prol da candidatura petista no dia 8 de outubro. “Por favor, Brasil, escolha o amor e não o ódio”, escreveu Sykes. O músico é casado com Alissa Salls e reside no Brasil; ele também republicou montagens que mostravam Lula em vídeos musicais. Essa não é a primeira vez que Sykes se posiciona politicamente: já havia apoiado Lula em 2022 e criticado Jair Bolsonaro durante um show em São Paulo em 2019.

Na terça-feira (13/10), Eloy Casagrande também se manifestou. O ex-integrante do Sepultura publicou um vídeo com declarações feitas por Jair Bolsonaro durante a pandemia de covid-19 e expressou suas convicções políticas: “Estamos falando de caráter e da preocupante disposição de relativizar o inaceitável”, afirmou. Ele finalizou seu pronunciamento com uma frase contundente: “Família Bolsonaro, nunca mais”.

Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, também mostrou seu apoio ao compartilhar no dia 3 de outubro a capa do álbum “13” do Black Sabbath junto a referências à candidatura de Lula e hashtags direcionadas aos candidatos do PT. Essa ação simboliza a união entre a linguagem do rock e as questões eleitorais.

Titãs, Blitz e ex-integrantes se manifestam

No cenário do rock brasileiro, os Titãs oficializaram seu apoio na segunda-feira (13/10) com uma arte criada em parceria com Branco Mello. “No dia 25 os Titãs votam em Lula para preservar nossa democracia!”, anunciou o perfil da banda. Essa declaração coletiva complementa a participação individual de Tony Bellotto no vídeo produzido por Tom Morello.

Além disso, Paulo Miklos e Arnaldo Antunes — ambos ex-integrantes da banda — somaram-se à mobilização ao aparecerem no clipe “Bora Lula”, lançado em 2 de outubro com a participação de 27 artistas renomados como Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil. A gravação também contou com Fernanda Abreu que iniciou sua carreira como vocalista da Blitz antes de seguir carreira solo.

Evandro Mesquita, vocalista da Blitz, começou a compartilhar conteúdos favoráveis ao presidente nas redes sociais enquanto criticava Flávio Bolsonaro. Essas manifestações ressaltam o papel dos artistas associados ao rock nacional dos anos 80 numa movimentação que inclui também figuras das gerações posteriores.

Da velha guarda aos novos punks

João Gordo declarou seu voto em Lula por meio de um vídeo postado no dia 4 de outubro. O cantor revelou que durante muito tempo optou por anular seu voto mas mudou sua postura diante da ascensão da extrema direita: “Não pode deixar os caras crescerem e entrarem no poder como foi com Bolsonaro; então eu voto 13, voto sim no Lula”, declarou. Gordo já havia demonstrado uma posição semelhante nas eleições anteriores.

Clemente Nascimento dos Inocentes e Plebe Rude também se manifestou em um vídeo publicado no dia 1º de outubro afirmando ser eleitor declarado: “Eu sou Lula! 13 na cabeça sempre foi”.

A nova geração é representada pela banda Black Pantera que mistura metal com punk e hardcore abordando temas como racismo e desigualdade social nas suas letras. Eles agradeceram publicamente a Tom Morello por sua manifestação pró-Lula após declararem seu voto na véspera do primeiro turno.

A primeira postagem sobre Tom Morello feita em 3 de outubro recebeu suporte público também por parte da vocalista Fernanda Lira (Crypta), Amilcar Christófaro (Torture Squad), Egypcio (Tihuana), Rodrigo Lima (Dead Fish) e Dinho Ouro Preto (Capital Inicial).

Rock tem viés esquerdista

No contexto eleitoral atual, Nasi, vocalista do Ira!, reafirmou o caráter contestador do rock durante entrevista ao Gringos Podcast neste mês: “O rock não é direito”, enfatizou ao destacar que apenas uma minoria dos músicos conhecidos daquela época aderiu ao conservadorismo.

O cantor acredita que a maioria dos roqueiros mantém uma perspectiva humanista alinhada à centro-esquerda. Seu parceiro Edgard Scandurra também tem histórico ativo na militância política incluindo participações na Vigília Lula Livre e tem compartilhado conteúdo relacionado a políticos progressistas em suas redes sociais.

Apoios a Flávio Bolsonaro

No campo oposto das preferências eleitorais predomina o sertanejo. Entre os poucos nomes conhecidos do rock que manifestaram apoio a Flávio Bolsonaro está Roger Moreira do Ultraje a Rigor que foi um dos primeiros roqueiros a declarar publicamente sua intenção de voto no candidato do PL: “Votem no Flávio”, escreveu no dia 5 de outubro após já ter expressado preferências anteriormente.

Pénélope Nova — ex-VJ da MTV e filha do icônico roqueiro Marcelo Nova — também demonstrou apoio ao candidato publicando uma foto junto dele acompanhada pela legenda “P de presidente” além de participar ativamente num ato na Avenida Paulista no dia 7 setembro. Essa atitude gerou críticas entre antigos seguidores da MTV que questionaram sua mudança ideológica: “Uma das maiores desapontamentos para quem assistia à MTV nos anos 2000”, comentou um usuário nas redes sociais.

By Bauru Report

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