É amplamente reconhecido que a maioria dos institutos de pesquisa no Brasil falhou em prever os resultados das eleições presidenciais de 2026. No primeiro turno, Lula liderava a maioria das pesquisas, mas acabou ficando em segundo lugar, com uma diferença inferior a 2 pontos percentuais em relação a Flávio Bolsonaro.
Essa situação é similar ao que aconteceu recentemente na Colômbia.
Por exemplo, a pesquisa Invamer indicava uma vantagem de 13 pontos percentuais para Ivan Cepeda, candidato da esquerda. Contudo, as urnas revelaram um cenário distinto: Abelardo de la Espriella, representante da extrema direita, obteve 43,74% dos votos válidos, enquanto Iván Cepeda ficou com 40,90%. A diferença foi cerca de 2,8 pontos percentuais, evidenciando um erro considerável nas previsões ao subestimar a força da extrema direita.
Após as eleições, novas pesquisas foram realizadas e mostraram uma transformação nos dados de opinião pública: no segundo turno, De la Espriella apareceu com uma vantagem entre seis e oito pontos percentuais.
Entretanto, o resultado final foi bem mais apertado do que o previsto: De la Espriella ganhou com uma margem de apenas 250 mil votos, representando uma diferença inferior a um ponto percentual – muito abaixo do que as pesquisas tinham indicado.
Embora a votação de Cepeda tenha aumentado, isso não foi suficiente para garantir sua vitória. Contudo, resultou em uma disputa muito mais acirrada do que as pesquisas previam. Novamente, os levantamentos falharam ao subestimar a capacidade de mobilização da esquerda.
No Brasil…
Após finalizar o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro, Lula aparece em desvantagem em várias pesquisas divulgadas na fase final da campanha.
Entretanto, os resultados ainda estão sujeitos a fatores como participação eleitoral, abstenção e mobilização dos eleitores. A campanha de Lula tem mostrado crescimento consistente nas intenções de voto ao longo das últimas pesquisas.
Na pesquisa da Quaest divulgada em 21 de outubro, Flávio apresentava 45% e Lula contava com 44% nas intenções de voto estimuladas. O candidato bolsonarista caiu um ponto percentual enquanto Lula manteve-se estável e viu sua aprovação governamental aumentar junto ao número de eleitores indecisos. Na pesquisa Indexa divulgada hoje, Lula teve um crescimento de 0,3%, enquanto Flávio sofreu uma queda equivalente. O quadro se mostra bastante equilibrado e tenso.
Se as previsões feitas por institutos brasileiros repetirem os erros cometidos nas sondagens colombianas, isso poderá trazer boas notícias para Lula.
Yuri Ferreira é editor da Revista Fórum e responsável pela newsletter de política internacional O Mundo Está Uma Loucura. Formado em ciências sociais pela Universidade de São Paulo.
