O dia 23 de outubro de 2023 se revela como um marco significativo na história do futebol brasileiro: o encerramento da trajetória de Neymar como um atleta em plena forma física, capaz de suportar todo o seu imenso talento, que o consagrou como o maior jogador brasileiro da última duas décadas. Nesse dia, a seleção brasileira enfrentou o Uruguai em Montevidéu pelas Eliminatórias e Neymar sofreu uma lesão nos ligamentos do joelho direito.
Desde aquele momento, sua carreira tomou um novo rumo. Ele deixou o Paris Saint-Germain e se transferiu para um clube na Arábia Saudita. Lá, acabou sendo afastado pelo técnico Jorge Jesus, que não o considerava em condições físicas adequadas para acompanhar o ritmo do time.
Após essa passagem, Neymar retornou ao Santos, onde foi recebido com grande entusiasmo pela maioria dos torcedores brasileiros. Sua chegada foi digna de Hollywood, com uma mensagem em vídeo do Rei Pelé dando as boas-vindas ao Príncipe. Um contrato foi assinado, mas isso se tornou prejudicial para o Santos, que passou a depender do pai do jogador. A expectativa era de que Neymar se recuperasse gradualmente e voltasse a exibir seu futebol brilhante, sendo convocado sem dificuldades para amistosos da seleção e contribuindo significativamente na busca pelo hexacampeonato.
No entanto, as coisas não aconteceram conforme o esperado. Embora tenha mostrado flashes de talento em algumas partidas — como o famoso gol de cavadinha contra o Vasco — sua vontade de vencer também se manifestou em diversas discussões e polêmicas. Contudo, houve momentos embaraçosos onde sua velocidade falhou e seus dribles foram frustrados; uma dessas situações ocorreu com Zé Ivaldo. Além disso, teve um gol anulado por mão, uma derrota por 6 a 0 e até uma entrevista polêmica onde fez comentários inadequados sobre os árbitros.
Neymar enfrentou uma série de contusões que impediram uma sequência regular de jogos. Ele foi substituído em várias ocasiões e decidiu não atuar no gramado sintético do Palmeiras por questões de segurança. Sua mais recente lesão aconteceu em Itaquera durante uma partida contra o Coritiba — um jogo no qual todos esperavam que ele brilhasse, mas resultou em derrota e nova substituição devido a dores na panturrilha.
O Santos comunicou à CBF que a lesão era mínima, descrevendo-a como uma “lesãozinha” de apenas 2 milímetros. No entanto, exames posteriores revelaram informações contraditórias. Isso trouxe complicações para o clube: ou houve um erro significativo no departamento médico ou tentaram enganar a CBF. O fato é que Neymar não estará presente nos amistosos contra Panamá e Egito; caso jogue contra Marrocos, será sem ter realizado treinos prévios.
Resta questionar se vale a pena manter Neymar no grupo da Copa do Mundo sem certeza sobre sua recuperação definitiva ou se novas lesões podem ocorrer. É válido mantê-lo apenas por ser o jogador mais querido entre os colegas, mesmo que todos cedam para que ele use a camisa dez? Ou seria melhor contar com outros jogadores como Vinícius Jr e Raphinha?
É válido ter esse Neymar motivador, mas com saúde comprometida, pronto para enfrentar adversários como Haiti e Escócia?
Na minha opinião, não compensa mais. Esta última lesão foi decisiva.
A versão genial de Neymar parece não retornar mais. É hora de aceitar essa realidade. Esse Neymar remanescente — lutador e capaz de algumas jogadas impressionantes — é insuficiente para brilhar em uma Copa do Mundo. É necessário reconhecer que esse tempo já passou; mesmo quando surge à lembrança do excepcional jogador que ele foi recentemente.
