O Brasil lançou seu primeiro drone equipado com uma turbina a jato totalmente nacional, fruto de uma colaboração entre a Força Aérea Brasileira (FAB), a Stella Tecnologia e a AERO CONCEPTS.
Com o respaldo da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e suporte técnico do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), que faz parte do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) da FAB, o projeto tomou forma. A FAB também desempenhou um papel ativo na validação operacional desta nova plataforma, que se destaca pela autonomia de voo de 24 horas e capacidade para transportar até 150 quilos.
Nomeado Albatroz Vortex, este sistema aéreo não tripulado será utilizado em operações de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR) pelo Exército, além de oferecer suporte às atividades embarcadas da Marinha no monitoramento das fronteiras e da infraestrutura das áreas costeiras.
A aeronave é projetada para operar em pistas curtas, com menos de 150 metros, além de ser compatível com navios-aeródromos, que são porta-aviões utilizados como bases aéreas flutuantes.
O primeiro teste desta tecnologia ocorreu em 2025 e teve como objetivo validar a integração entre o drone, desenvolvido pela Stella Tecnologia, e a turbina ATJR15-5 da AERO CONCEPTS, que é fabricada na unidade da empresa em São José dos Campos.
A turbina é capaz de gerar um empuxo de aproximadamente 500 Newtons e faz parte de uma nova linha de turbinas que estão sendo desenvolvidas para aplicações em drones, mísseis e outros pequenos sistemas aeronáuticos.
Historicamente dependente de fornecedores internacionais para sistemas estratégicos, o Brasil vê na produção local dessas tecnologias uma oportunidade vital para modernizar suas Forças Armadas e garantir maior autonomia.
O desenvolvimento dessas turbinas demanda superligas metálicas altamente resistentes, que funcionam sob temperaturas extremas. Além disso, é necessário dominar o sistema FADEC, um avançado controle computadorizado que regula motores aeronáuticos ao ajustar automaticamente combustível, ignição e mecanismos de proteção.
A AERO CONCEPTS tem como meta estabelecer uma cadeia nacional para a fabricação de turbinas aeronáuticas no médio prazo, com componentes críticos produzidos internamente e desenvolvimento local das superligas metálicas necessárias.
Conforme análises do Center for Strategic and International Studies (CSIS), os drones têm se tornado essenciais nas guerras contemporâneas ao substituir parcialmente as missões tripuladas por sistemas de vigilância mais baratos e operáveis remotamente em tempo real.
Anteriores projetos brasileiros já haviam desenvolvido drones para monitoramento; no entanto, eles dependiam fortemente de componentes importados, especialmente turbinas e sistemas de navegação. O Albatroz integra a estratégia “Força Aérea 100”, que delineia as diretrizes para modernização da FAB até 2041.
Dentre os objetivos dessa estratégia estão o avanço em sistemas aeroespaciais autônomos e o fortalecimento da capacidade científica brasileira por meio de parcerias com universidades, centros de pesquisa e empresas privadas.
Uma das iniciativas mais relevantes nesse contexto é o Parque Industrial e Tecnológico Aeroespacial da Bahia (PITA-BA), resultado da colaboração entre o Ministério da Defesa, o Governo da Bahia e o SENAI CIMATEC. Este complexo visa desenvolver pesquisas in loco focadas em drones, inteligência artificial, computação quântica, satélites e sistemas aeroespaciais avançados.
Além disso, espera-se que o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA receba um novo campus na Base Aérea de Fortaleza em breve. Essa expansão tem como objetivo formar engenheiros aeronáuticos qualificados para servir nas forças brasileiras.
Agora, o drone Albatroz precisa evoluir para se tornar uma plataforma operacional consolidada. Para isso, testes de certificação serão realizados com a finalidade de assegurar a produção em escala industrial dos sistemas críticos envolvidos na aeronave, incluindo motores, sensores e componentes eletrônicos embarcados.
