O cinema nacional brilha nas estreias desta quinta-feira, 29 de outubro, com destaque para “100 Dias”, uma aventura do cineasta Carlos Saldanha que retrata a travessia de Amyr Klink pelo Atlântico. Além disso, a programação inclui duas produções dramáticas voltadas ao público jovem e uma fantasia que explora a burocracia da vida eterna. A quantidade de lançamentos coincide com a realização do Festival do Cinema Brasileiro, que oferece ingressos a R$ 12 para as produções nacionais em cinemas selecionados até 4 de novembro.
No cenário internacional, a lista é enriquecida pela animação “O Bosque Selvagem”, nova criação do estúdio Laika, que se junta a uma adaptação da obra de Jane Austen, um filme de ação estrelado por Rodrigo Santoro, um drama dirigido por Paweł Pawlikowski e um documentário sobre o Everest. As salas também abrigam o Festival de Cinema Francês no Brasil. Confira os detalhes das novidades.
🎞️ 100 DIAS
Carlos Saldanha, conhecido por seus sucessos em animação como “Rio” e “A Era do Gelo”, troca personagens digitais por uma narrativa real sobre resistência física e psicológica. Seu novo filme retrata a solitária travessia do navegador Amyr Klink pelo Atlântico Sul, realizada em 1984 em um pequeno barco a remo, durante uma jornada de quase sete mil quilômetros entre o Brasil e a África. Filipe Bragança, conhecido por “Coração Acelerado”, assume o papel de Klink na adaptação do livro autobiográfico “Cem Dias Entre Céu e Mar”, que mescla aventura marítima com memórias familiares e episódios da formação do explorador. Para interpretar o personagem, o ator se submeteu a um rigoroso treinamento físico em remo e navegação.
A trama revela como Amyr decidiu partir aos 28 anos da costa da Namíbia em busca de uma travessia considerada impossível. Enfrentando tempestades, problemas de navegação e exaustão física sozinho em sua embarcação projetada para tal desafio, ele lida com a constante possibilidade de morte no oceano. Durante meses de isolamento, as dificuldades trazem à tona lembranças da infância, conflitos com seu pai (Felipe Camargo) e decisões que o levaram àquela arriscada experiência. A narrativa entrelaça acontecimentos no mar com passagens do passado enquanto sua chegada ao Brasil se torna cada vez mais real.
As memórias interrompem ocasionalmente o isolamento predominante no filme, sustentando uma história cujo desfecho já é conhecido, tendo um protagonista isolado diante da vastidão do oceano. Saldanha usa as paisagens grandiosas e a fragilidade da embarcação para contar essa história enquanto Bragança busca humanizar a luta do navegador.
🎞️ AS DEZ VANTAGENS DE MORRER DEPOIS DE VOCÊ
Duas cantoras populares entre os jovens se reúnem nas telonas para contar uma história sobre amizade, morte e novos começos. Any Gabrielly, ex-integrante do Now United, e Giulia Be (“Depois do Universo”) protagonizam esta adaptação do romance de Fernanda de Castro Lima, que inicia em uma situação trágica antes de evoluir para uma jornada de amadurecimento.
Gabi (Any Gabrielly) e Julia (Giulia Be) são amigas inseparáveis desde pequenas apesar das diferenças marcantes em suas personalidades. Enquanto Gabi é tímida e cautelosa diante do desconhecido, Julia é extrovertida e sempre disposta a novas experiências. A amizade delas é abruptamente interrompida após um trágico acidente automobilístico que resulta na morte de Julia, que deixa dez cartas com missões para Gabi cumprir como forma dela aproveitar mais a vida. Essas tarefas incluem desafios que Gabi nunca enfrentaria espontaneamente—desde cantar em público até se abrir para novas experiências amorosas. Com o auxílio de Lorena (Pâmela Germano), Gabi começa a atender aos pedidos enquanto tenta reconstruir sua vida sem Julia.
O filme utiliza os desafios propostos por Julia para transformar o processo de luto em um caminho repleto de descobertas pessoais, alternando entre momentos cômicos e emocionais intensos. Mesmo após a perda física da amiga, sua influência permanece forte na narrativa. O drama dirigido por Diego Freitas evoca temas comuns dos dramas juvenis sobre superação mas também enfrenta os limites dessa fórmula ao transformar dor em oportunidades previsíveis para crescimento pessoal.
🎞️ MEDLEY
Mel Maia (“Os Donos do Jogo”) dá vida a uma adolescente cuja promissora carreira como nadadora é prejudicada por traumas familiares. Sob direção de Ana Luiza Azevedo (“Antes que o Mundo Acabe”), essa história ambientada nos anos 90 adapta o livro “Medley ou Os Dias em que Aprendi a Voar”, escrito pela própria Keka Reis, responsável também pelo roteiro. A produção utiliza o esporte como metáfora dos conflitos internos vividos pela jovem dividida entre pressão por resultados e compreensão dos eventos traumáticos em seu passado.
Lola (Maia) tem apenas 16 anos e já acumula medalhas na natação mas enfrenta dificuldades ao executar corretamente o estilo borboleta devido a lembranças dolorosas ligadas à ausência misteriosa do pai e à complicada relação com sua mãe (Mariana Lima). Após uma briga familiar intensa, Lola decide passar as férias em uma cidade interiorana no Rio de Janeiro onde conhece novos amigos e acaba se unindo a uma equipe que enfrenta várias adversidades na natação. Durante esse período ela experimenta seu primeiro amor e começa também investigar o desaparecimento paterno.
A ambientação dos anos 90 junto à rotina dos treinos diferencia o filme de outros dramas juvenis relacionados às relações familiares tumultuadas. A água se torna um elemento central nessa construção: Lola domina as piscinas mas carrega consigo um bloqueio que impede seu progresso em competições específicas — um obstáculo diretamente relacionado às memórias que tenta evitar.
A produção se destaca pela interpretação envolvente de Maia e pela representação autêntica das relações adolescentes; porém algumas revelações familiares são tratadas apressadamente quando deveriam receber mais desenvolvimento emocional. O roteiro amalgama temas como amadurecimento, romance e superação dentro de um percurso previsível que frequentemente busca resolver conflitos ao invés de explorá-los mais profundamente.
🎞️ CARTÓRIO DAS ALMAS
Em um futuro onde a humanidade descobre como interromper o envelhecimento natural, morrer se transforma numa escolha burocrática ao invés de ser vista como fatalidade inevitável. Esta é a premissa da fantasia brasileira dirigida por Leo Bello (“O Espaço Infinito”), onde funciona um cartório dedicado ao registro das decisões das pessoas sobre encerrar suas vidas eternas. Filmado inteiramente na capital Brasília, o longa aproveita a arquitetura modernista local para criar uma distopia focada na longevidade humana.
Laura (Gabriela Correa), aos 126 anos recém-contratada pelo Cartório das Almas – encarregado dos pedidos daqueles decididos a deixar suas existências – deve ouvir cada interessado’s razões sem emitir juízos morais sobre suas escolhas. Contudo, esse contato com histórias diversas começa a modificar sua percepção acerca da imortalidade que ela mesma não pode escolher abandonar devido ao contrato assinado.
A escolha desse espaço burocrático como cenário principal aproxima esta obra das sátiras clássicas dentro do cinema fantástico contemporâneo; aqui imortalidade não é celebrada como conquista gloriosa mas sim apresentada como fardo quando as rotinas diárias carecem qualquer tipo transformação significativa. O conflito central gira entre esta sociedade aparentemente livre da morte enquanto Laura se encontra presa à impossibilidade da escolha sobre seu próprio destino.
A produção conquistou o Candango de Melhor Longa-Metragem no Festival de Brasília deste ano juntamente com prêmios pelas suas realizações técnicas significativas numa duração compacta de apenas 77 minutos.
🎞️ O BOSQUE SELVAGEM
O estúdio Laika retorna às telonas com sua mais ambiciosa animação até agora após sucessos anteriores como “Coraline” e “Kubo”. Dirigido por Travis Knight — responsável anteriormente por “Kubo” — este novo projeto adapta um romance fantástico escrito pelo vocalista Colin Meloy da banda The Decemberists incorporando criaturas fantásticas além dos elementos sombrios típicos dos contos clássicos infantis.
A protagonista Prue McKeel tem apenas treze anos quando seu irmão mais novo é sequestrado por corvos ferozes. Determinada a salvá-lo atravessa os limites conhecidos rumo ao Bosque Selvagem acompanhada pelo amigo Curtis. Este território esconde criaturas falantes assim como facções implacáveis disputando controle sob aquele domínio proibido onde descobrirão que todo esse incidente está ligado aos planos malignos da feiticeira local; ambos acabam envolvidos numa guerra muito além da missão inicial resgate familiar. Na versão dublada brasileira Giulia Benite interpreta Prue.
A riqueza artesanal empregada nesta animação faz toda diferença já que Laika utiliza técnicas quadro-a-quadro numa escala impressionante — resultando em batalhas dinâmicas através florestas exuberantes criando mundos fantásticos complexos sem suavizar ou esconder as consequências violentas enfrentadas pelos personagens durante suas jornadas épicas comparáveis às aventuras encontradas nas obras clássicas.”
Embora repleta visualmente rica sendo cheia detalhes intrigantes muitas vezes peca pelo excesso narrativo introduzindo muitos personagens cujas complexidades podem retardar eventos centrais importantes; ainda assim o nível artístico superior alcançado na animação afasta-a dos clichês infantis comuns atualmente disponíveis nos cinemas oferecendo assim potencial candidatura ao Oscar para Melhor Animação no próximo evento.
🎞️ RAZÃO E SENSIBILIDADE
Mais de três décadas após a célebre adaptação cinematográfica de Ang Lee premiada no Oscar pela roteirista Emma Thompson o romance clássico escrito por Jane Austen ganha nova versão nas telonas atuais com Daisy Edgar-Jones (“Twisters”) interpretando Elinor Dashwood junto à Esmé Creed-Miles (“Hanna”) vivendo Marianne Dashwood — irmãs contrastantes vivendo vicissitudes sociais distintas publicadas originalmente há mais tempo desde então em1811 .
Com falecimento recente do pai ambas perdem segurança financeira obrigadas deixar propriedade herdada agora controlada apenas pelos homens próximos parentes familiares diretos sobreviventes . Enquanto Elinor procura proteger estabilidade emocional familiar mesmo apaixonada secretamente outro homem comprometido Marianne ,por outro lado impulsiva romântica acredita entrega absoluta sentimentos envolvendo-se assim pretensões questionáveis colocando convicções em xeque . Embora ambas lutem frustrações amorosas sua mãe tenta assegurar futuro filhas num contexto onde casamento patrimônio interligam-se irremediavelmente .
A nova abordagem desloca parte atenção originais romances enfatizando laços entre irmãs representando diferentes formas enfrentar vulnerabilidades sociais . Elinor não é incapaz sentir ,mas aprendeu esconder emoções ameaçadoras podendo comprometer status quo estabelecido ; Marianne descobre riscos liberdade sentimental limitada normas sociais vigentes não permitem plena expressão feminina desejável .
A diretora Georgia Oakley (“Blue Jean”) trabalha oposições presentes através atuações sutis ambientações rurais valorizando gestos silêncios significativos mostrando humor crítica social perspicazes presentes textos Austen embora algumas comparações inevitáveis surjam constantemente filmagem anterior Ang Lee impede total originalidade proposta atualizada .
🎞️ TRÊS HORAS PARA VIVER
No thriller “Três Horas Para Viver”, Alan Ritchson , conhecido pelo papel principal em “Reacher”, assume outra missão arriscada envolvendo transporte médico enquanto enfrenta questões criminais complicadas dirigidas por Scott Waugh (“Os Mercenários”). O filme combina porte físico impressionante habilidades combate ator bem humoradas Owen Wilson (“Loki”), enquanto Rodrigo Santoro aparece novamente interpretando vilão determinado impedir sucesso dupla tarefa crucial .
Hank Malone (Ritchson) ex-militar especializado transporte cargas perigosas recebe ordem simples entregar fígado urgente transplantação menina sete anos ; questão surge logo depois quando Damián Zaldívar(Santoro) líder organização criminosa poderosa decide tomar órgão seus próprios interesses levando Hank juntamente Ben Bishop(Wilson) responsável proteção carga enfrentarem emboscadas armadas perseguições automotivas até prazo três horas inviabilizar transplante necessário surgir efetivamente .
A experiência Waugh dublê influencia diretamente encenação preferindo sequências ação impactantes efeitos práticos trazendo intensidade visual necessária mantendo veracidade ação ainda mais realista possível ; temperamento diferente Ritchson Wilson provoca momentos engraçados entre confrontos intensificados tensão crescente presente narrativa desenvolvida .
Urgência transplante oferece justificativa dramática sucessão perigos mas roteiro opera dentro convenções conhecidas apresentando criminosos funcionam principalmente obstáculos principais protagonistas quase infinita habilidade reduzindo imprevisibilidade momentos tensão esperados .
🎞️ A TERRA DO MEU PAI
O cineasta polonês Paweł Pawlikowski retorna à Europa pós-guerra explorando jornada escrita Thomas Mann dividida interesses americanos soviéticos conturbados relacionais históricos importantes utilizando Sandra Hüller (“Anatomia De Uma Queda”) Hanns Zischler (“Munique”). Este drama utiliza episódio vida vencedor Nobel Literatura examinar dificuldades reconstrução identidade nacional após regime nazista impactante devastador passado recente ainda presente influência atual sociedade contemporânea ali refletida nas vivências cotidianas comuns todos cidadãos alemães direta ou indiretamente afetados pelas consequências ações passadas coletivas retratadas cinematograficamente .
No ano seguinte término Segunda Guerra Mundial Thomas Mann(Zischler) retorna Alemanha após dezesseis anos exílio Estados Unidos junto filha Erika(Hüller) atriz escritora ativista política atravessam país homenagens centenário Goethe começando Frankfurt sob influência americana seguindo Weimar dominada soviéticos ; ao longo percurso encontram autoridades interessadas legitimarem respectivos governos através prestígio intelectual escritor antigo colaboradores nazismo tentando apresentar-se representantes renovadores Alemanha moderna transitória nesse momento histórico delicado complexo transição cultural política social intensa necessidade adaptação coletiva todos cidadãos envolvidos diretamente indiretamente buscando reconciliação pacífica ordem antiga estabelecida anteriormente desmoronou completamente . p >
Presença Erika também levanta conflitos familiares particularmente concernente irmão Klaus(August Diehl) trajetória expõe outras consequências exílio bem sucedido reintegração difícil passado sombrio impactos emocionais profundos permanentes embora tempo decorrido não limpe feridas abertas anteriormente causadoras sofrimento cotidiano invisível muitos ainda persistente cotidiano cotidiano atual realidade sociopolítica vigente retórica discursos vazios reciclados repetidamente promover ideologias anacrônicas incompatíveis necessidade urgente mudança genuína profunda base necessidades humanas fundamentais dignidade respeito igualdade justiça social verdadeira inclusão participativa ativa todos segmento população sem discriminação alguma forma preconceito injustiça histórica perpetuada séculos passados imposta estrutura hierárquica desigualdade extrema alimentar divisões sociais profundas ainda existentes contemporaneamente observáveis dia-a-dia entorno habitacional contexto vivencial comum maiorias minorias lutando sobrevivência dignidade harmonia mutuamente respeitosa coexistência pacífica necessária construção futuro solidário justo igualitário plenamente satisfatório todas partes envolvidas direta ou indiretamente nessa complexa rede interconectividade social moderna contemporânea globalizada exigindo reflexão crítica consciente responsabilidade compartilhada coletiva cada indivíduo cidadão comprometido transformações necessárias realmente efetivas visíveis concretas palpáveis influencias duradouras positivas gerações futuras construindo legado coletivo digno respeitoso comum progressivo humano universal transcendental abrangente integrador equilibrado eficaz durabilidade máxima relevante significativa mútua igualmente benéfica futuro solidário humanitário próximo distante desejável aspiração coletiva todos seres humanos independente posição classe sociais raciais culturais crenças valores individuais experiências pessoais contextuais vivenciais particulares únicos representativos diversidade pluralidade riquíssima humana singularidade preciosa inestimável valor intrínseco fundamental essencial existência simplesmente existir…
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