Lula solicita à Polícia Federal apuração sobre a ilha mencionada por Richarlison em acusação a Flávio

Lula se envolve na polêmica sobre a ilha

Na quarta-feira, dia 21 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do PT, comunicou que solicitou à Polícia Federal uma investigação relativa à perda de uma mansão avaliada em R$ 10 milhões pelo jogador Richarlison, localizada na ilha de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O atacante do Tottenham alega que Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL, e seu associado Willer Tomaz teriam orquestrado a transferência do imóvel para uma empresa ligada ao advogado após ele recusar uma proposta de venda. Essa intervenção ocorre em meio ao aumento das tensões entre as partes envolvidas, que inclui um ultimato de Tomaz e a divulgação de documentos por parte do atleta.

Lula comenta sobre a situação da ilha

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Lula expressou sua preocupação com a rapidez da transferência dos direitos de ocupação do imóvel para a empresa de Willer Tomaz. Ele enfatizou o relato de Richarlison sobre a aquisição da propriedade e mencionou que Flávio Bolsonaro esteve presente durante visitas ao local. “O advogado Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro foram à ilha deste rapaz e filmaram tudo com um drone”, afirmou.

Além disso, Lula destacou que o pedido feito por Richarlison à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) permaneceu sem resposta por vários meses, enquanto a solicitação relacionada ao advogado teve um trâmite muito mais rápido. “Estou pedindo à Polícia Federal para investigar onde ocorreu essa manobra”, declarou. Voltando-se a Richarlison, acrescentou: “Estamos investigando. Assim que tivermos certeza, meu querido, iremos revelar a verdade para você”.

Richarlison responde com documentos

A atuação de Lula seguiu-se a um novo movimento adversarial por parte de Willer Tomaz contra Richarlison. No último sábado (17), o advogado desafiou o jogador a apresentar documentos anteriores a julho de 2022 que comprovassem sua relação com a propriedade e o pagamento dos R$ 10 milhões em até 72 horas. Tomaz prometeu transferir os direitos sobre o imóvel gratuitamente caso as evidências apresentadas fossem válidas.

Na manhã de quarta-feira (21), Richarlison contrabalançou essa provocação com um vídeo no qual apresentou contratos, documentos judiciais e registros relacionados à sua negociação. Ele explicou que adquiriu os direitos sobre o imóvel em outubro de 2020 junto ao ex-deputado estadual Alencar da Silveira Júnior e Renato Velasco, seu antigo empresário. Segundo o jogador, foram investidos cerca de R$ 4,66 milhões em acordos com os antigos ocupantes e na regularização da posse. Com custos adicionais como reformas e segurança, o total investido atingiu R$ 10 milhões. Richarlison também expôs documentos referentes a um acordo homologado pela Justiça do Rio.

O atacante acusou Flávio Bolsonaro e Tomaz de terem recebido tratamento preferencial na SPU. Conforme sua versão dos fatos, o processo para regularizar seus direitos ficou paralisado por dez meses enquanto o pedido do grupo oposto foi processado rapidamente em apenas um dia. “Aqui está a prova, Willer Tomaz; você disse que se eu apresentasse provas da compra da ilha devolveria os direitos para mim — então aqui está”, desafiou.

Ação judicial contra Richarlison

A contenda também inclui uma ação movida por Willer Tomaz junto à Justiça do Distrito Federal no dia 29 de julho. O advogado requereu uma medida cautelar para impedir que Richarlison continuasse publicando acusações relacionadas ao imóvel. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (21) pela jornalista Amanda Rossi.

Tomaz buscava uma multa mínima de R$ 50 mil por cada publicação feita pelo jogador e mais R$ 50 mil diários pela permanência dessas postagens nas redes sociais, além de R$ 200 mil por danos morais. A ação contestava inclusive comentários feitos pelo atleta em posts alheios e visava barrar novas menções sobre uma suposta apropriação irregular da ilha.

No dia 13 de agosto, o juiz Giordano Resende Costa negou o pedido urgente afirmando que ele se aproximava perigosamente da censura prévia à liberdade de expressão e ressaltou que tal conduta é proibida pela Constituição. O magistrado também questionou se a ação não estaria destinada a proteger os interesses do senador Flávio Bolsonaro devido às menções feitas em publicações atacadas. O processo segue tramitando na Justiça.

Como ocorreu a transferência para Willer Tomaz?

A controvérsia gira em torno de uma mansão situada na Ilha Comprida em Angra dos Reis. O terreno é propriedade da União e discute-se os direitos sobre sua ocupação. Richarlison afirma ter adquirido legalmente esses direitos em 2020. Após isso, Flávio Bolsonaro teria mostrado interesse no imóvel e visitado-o novamente acompanhado por Willer Tomaz em janeiro de 2021 após Richarlison recusar sua oferta anterior.

Em 2022, houve mudanças significativas quando uma empresa chamada M Locadora obteve inicialmente uma ordem judicial para reintegração de posse antes de transferir os direitos para WT Administração de Imóveis e Bens, associada a Tomaz. Investigações revelaram que o CNPJ da M Locadora estava inapto na Receita Federal desde dezembro de 2018 devido à falta de declarações fiscais; ainda assim participou do litígio judicial e fez essa transferência em julho daquele ano sob o governo Jair Bolsonaro.

Documentos judiciais indicam que posteriormente houve revogação da liminar favorável à M Locadora após descobrirem negociações anteriores não informadas pela empresa. Por fim, a WT permaneceu como titular dos direitos registrados na SPU. A empresa do jogador tentou reverter essa situação judicialmente sem sucesso; no entanto, optou por desistir das reivindicações até 2025.

A resposta de Willer Tomaz

Willer Tomaz defende que sua empresa adquiriu legitimamente os direitos sobre a ocupação da ilha e acusou Richarlison de tê-la comprado ilegalmente ou através daqueles sem títulos apropriados para vendê-la. Após as revelações feitas pelo jogador com seus documentos comprobatórios, Tomaz publicou outro vídeo afirmando: “Você comprou a ilha de invasores; eu possuo a escritura”.

Adicionalmente, ele criticou Richarlison por supostamente usar essa disputa para fins políticos próximo ao segundo turno das eleições presidenciais. O atacante refutou essa crítica mostrando mensagens enviadas ao senador Flávio Bolsonaro antes do início da campanha eleitoral como prova de suas tentativas para resolver amigavelmente o impasse.

Por sua vez, Flávio Bolsonaro nega qualquer envolvimento na aquisição do imóvel, alegando ser mencionado apenas como testemunha indicada pelo grupo ligado ao jogador.

Denúncias já foram encaminhadas ao Ministério Público

A situação ganhou novos contornos quando o coletivo Derrubando Muros — composto por juristas e cidadãos — apresentou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF). O grupo solicitou investigações acerca das possíveis irregularidades envolvendo a transferência dos direitos sobre o imóvel bem como sobre o papel desempenhado por Flávio Bolsonaro nesse processo. Entre os signatários estão figuras como Miguel Reale Jr. e Conrado Hübner Mendes.

No documento apresentado foram levantadas suspeitas relacionadas à grilagem e advocacia administrativa — crimes associados ao uso indevido da influência pública para beneficiar interesses privados. O coletivo argumenta que esse conflito envolve bens pertencentes à União e questiona as celeridades nos trâmites realizados pela SPU. Além disso, Rogério Correia (PT-MG), deputado federal também anunciou movimentações para solicitar legalmente a devolução da ilha ao jogador enviando petições à Polícia Federal.

Richarlison já havia manifestado publicamente seu desejo por uma investigação federal através de um vídeo divulgado no sábado (17). Ele expressou ainda sua intenção em destinar parte dos valores recuperados com os investimentos feitos no imóvel para construir um hospital em Nova Venécia (ES), sua cidade natal.

By Bauru Report

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