Conforme informações divulgadas pelo portal Defence Security Asia, a Argélia, que ocupa a posição de segunda maior potência militar da África, atrás apenas do Egito, está em tratativas com a China para a aquisição de uma frota de 30 a 40 caças J-10CE, além de três a cinco aeronaves KJ-500, voltadas para alerta aéreo e controle. As primeiras unidades desse acordo devem ser entregues em 2027.
A Força Aérea da Argélia tem se dedicado à modernização de seu arsenal desde 1962, com um foco predominante em equipamentos oriundos da antiga União Soviética e da Rússia. A potencial inclusão dos caças chineses representaria um avanço significativo, introduzindo uma nova geração de aviões de combate na frota argelina, que atualmente é composta por bombardeiros multifuncionais Sukhoi Su-30 e Su-24.
O Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) reporta que as vendas russas de grandes sistemas armamentistas sofreram uma queda acentuada de até 64% desde o início do conflito na Ucrânia, em 2022, quando comparado aos dados do período entre 2016 e 2020.
A China já tem fornecido diversos sistemas às Forças Armadas argelinas anteriormente, incluindo equipamentos navais, veículos blindados e drones. Em fevereiro de 2025, o comandante do Estado-Maior do Exército Nacional da Argélia se reuniu com o responsável pelo Desenvolvimento de Equipamentos da Comissão Militar Central da China para discutir aspectos da colaboração mútua e temas militares relevantes.
No mesmo ano, em novembro, o embaixador chinês e o adido de Defesa também se encontraram com o líder das Forças Terrestres argelinas para dialogar sobre a intensificação da parceria militar entre os dois países.
Em 2026, houve outra reunião entre oficiais militares argelinos e chineses com foco na ampliação dessa cooperação. Este encontro contou com a presença do chefe da divisão de guerra eletrônica das Forças Terrestres argelinas e do novo adido de Defesa designado pela China.
A expectativa é que o J-10CE, uma versão exportável do caça J-10C desenvolvido pela Chengdu Aircraft Corporation, possa substituir os antigos MiG-29 russos operados pela Argélia desde os anos 90. O caça chinês é um monomotor de médio porte que incorpora tecnologia avançada como radar AESA (radar de varredura eletrônica ativa), sistemas digitais e capacidades para uso de armamentos modernos de longo alcance.
Além disso, há especulações sobre a possibilidade da inclusão do PL-15E, uma versão exportada de um míssil ar-ar chinês projetado para combates à distância. Contudo, até o momento não há informações confirmadas sobre essa colaboração.
O SIPRI aponta que tanto Argélia quanto Marrocos são os principais importadores de armamentos na região norte-africana. Entre 2021 e 2025, a Argélia respondeu por 53% das importações dessa categoria na área, enquanto Marrocos ficou com 34%.
Entretanto, as fontes dessas importações diferem entre os dois países: Marrocos recebe a maior parte dos seus armamentos dos Estados Unidos (60%), seguido por Israel (24%) e França (10%). Por outro lado, a Argélia obtém seus suprimentos principalmente da Rússia, China e Alemanha.
Nos últimos anos, a China tem expandido sua influência econômica no norte da África como parte da Belt and Road Initiative (BRI), um projeto global voltado para infraestrutura que busca conectar Ásia, África e Europa através de uma rede abrangente de portos, ferrovias e dutos energéticos.
No primeiro semestre deste ano, o comércio bilateral entre Argélia e China superou a marca dos 9 bilhões de dólares, impulsionado por colaborações nas áreas de infraestrutura, energia e projetos industriais locais.
