Ricardo Nunes dispensa colaborador sob investigação por contratos relacionados ao filme Dark Horse

A administração municipal de São Paulo decidiu afastar um gerente da São Paulo Turismo (SPTuris) que está sendo investigado pela Controladoria-Geral do Município (CGM). O foco da investigação é a contratação do Instituto Conhecer Brasil (ICB), que tem à frente Karina Ferreira da Gama, associada à produtora do filme “Dark Horse”.

O servidor em questão, identificado como Rodrigo Raveli Bolzan, atuou anteriormente como sócio na Complexys Soluções Integradas, uma das empresas que estão sob a análise da Polícia Civil devido a suspeitas de desvio de verbas públicas destinadas ao ICB.

Dentre as alegações, investigações indicam que uma parte dos recursos recebidos pelo instituto através de contratos com a prefeitura pode ter sido redirecionada para financiar o longa-metragem, que retrata o atentado sofrido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018.

Conforme informações veiculadas pelo portal Metrópoles, a SPTuris firmou aproximadamente R$ 12 milhões em contratos com a Complexys, sendo Bolzan responsável pela supervisão de alguns desses acordos.

O prefeito Ricardo Nunes confirmou o afastamento de Bolzan, mas não esclareceu se houve um conflito de interesses que motivou essa ação. Ele declarou: “Ele está afastado das funções. Foi aberta uma apuração pela Controladoria. Está sendo apurado, acompanhado pela Controladoria”.

Nunes ainda ressaltou que a administração municipal busca conduzir o inquérito de maneira célere. “Não queremos deixar qualquer tipo de dúvida sobre qualquer situação”, afirmou. Ele garantiu que “o processo de apuração será muito rápido e célere. Se alguma ilegalidade for identificada, ele será demitido”.

Essas declarações foram feitas durante uma coletiva de imprensa na terça-feira (9), após a inauguração de um novo centro de saúde na zona sul da capital.

Ação policial investiga contrato no valor de R$ 108 milhões

No decorrer da semana passada, a sede da Complexys, situada na Vila Mariana, foi alvo de um mandado de busca e apreensão durante uma operação da Polícia Civil relacionada aos contratos do ICB e à produtora do filme “Dark Horse”.

Diligências foram realizadas em oito locais diferentes.

A investigação investiga indícios de fraude em licitação e superfaturamento em um contrato avaliado em R$ 108 milhões firmado entre o município e o Instituto Conhecer Brasil para implementar uma rede gratuita de wi-fi em áreas periféricas da cidade.

A Polícia Civil revelou haver evidências indicando confusão patrimonial nas contas de Karina Ferreira da Gama e a possibilidade de que recursos públicos destinados ao instituto tenham sido transferidos para a produtora Go UP Entertainment, responsável pela produção cinematográfica.

A Complexys foi contratada pelo ICB para prover parte da infraestrutura necessária para o projeto. Os investigadores estão avaliando a regularidade de R$ 2,4 milhões em notas fiscais emitidas pela empresa para o instituto.

Sabe-se que esses documentos foram apresentados na prestação de contas enviada à prefeitura, mas foram cancelados no mesmo dia em que foram emitidos.

Instituto se manifesta sobre colaboração nas investigações

<pApós a operação policial, o Instituto Conhecer Brasil anunciou seu comprometimento em colaborar com as autoridades competentes e informou ter contratado especialistas em auditoria e perícia para auxiliar no processo.

Em comunicado oficial, o instituto afirmou que “a equipe jurídica contratou perícia e auditoria especializadas para fornecer suporte técnico e legal ao processo investigativo”.

Análise sobre financiamento do filme também está em andamento

O filme “Dark Horse” passou a ser analisado após reportagens revelarem detalhes sobre seu financiamento.

A publicação The Intercept Brasil trouxe à tona áudios e mensagens sugerindo negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, visando garantir recursos para a produção do filme.

Diz-se que Vorcaro teria disponibilizado R$ 61 milhões para viabilizar o projeto cinematográfico.

Correndo paralelamente, investigações conduzidas pela Polícia Federal buscam verificar se parte desses fundos foi utilizada para cobrir despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Tanto Flávio Bolsonaro quanto Eduardo Bolsonaro negam qualquer irregularidade nas negociações relacionadas ao financiamento do filme ou envolvimento com os valores investigados.

By Bauru Report

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