Memphis chutou a idolatria para o espaço, como fez com o pênalti?

O pênalti cobrado por Memphis Depay, aos 51 minutos do segundo tempo, contra o Estudiantes, teve consequências imediatas:

1) Acabou de eliminar o Corinthians na Libertadores, impedindo a chegada à semifinal, 99,999% contra o Flamengo. O time perdia por 1 x 0 e precisava de um gol para levar a decisão para a cobrança de pênaltis

2) Impediu a decisão por pênaltis, favorável ao Corinthians, que tem em Hugo Souza um pegador melhor que Muslera

3) Lembrou a cobrança de Roger Flores contra o Figueirense, pela Copa do Brasil de 2005, quando a Fiel desconfiou que ele havia errado por querer, para se vingar do mau relacionamento com Daniel Passarella, então treinador

4) Ficou claro que, em termos de Corinthians, Memphis é um mau cobrador de pênaltis. Antes do absurdo contra o Estudiantes, ele já havia cobrado quatro penais, com dois acertos e dois erros. Um dos erros foi a cavadinha contra o Mirassol no Paulista. Valter pegou facilmente. Naquele dia, a Fiel se lembrou da cavadinha de Pato, que Dida defendeu sem mexer um músculo da face.

A consequência que não é imediata remete à condição de Memphis junto à torcida corintiana. É ídolo? Continua sendo ídolo?

Eu acho que é. Conseguiu três títulos em uma temporada. Seu contrato somente foi reformado porque a torcida pressionou bastante. Ela se vê identificada no jogador, principalmente por sua posição questionando o mau gerenciamento do clube. Os torcedores se identificaram com a postura de Memphis quando da renovação do contrato, abrindo mão de muita coisa para continuar. Na verdade, o contrato anterior era um absurdo, nababesco, incompatível com o Brasil e com um clube endividado como o Corinthians. Então, abrir mão de excessos, sabendo que não tem mais mercado na Europa, não é algo tão heroico assim.

Defendi a renovação de contrato. Sou contra o enfrentamento de dívida com uma austeridade exagerada, que mais parece um suicídio político. Abdicar de grandeza em nome de contenção de despesas sempre me pareceu uma atitude extrema.

Agora, futebolisticamente falando, Memphis merece ser ídolo no Corinthians. É bem questionável. Ele tem 20 gols marcados em 85 jogos, uma média aproximada de um gol a cada QUATRO jogos. É pouco para um atacante. É muito pouco quando se compara com Luciano, do São Paulo, um jogador com muito menos hype e com carreira muito menos brilhante. Luciano tem 116 gols em 335 jogos, o que dá aproximadamente um gol a cada TRÊS jogos. Muita diferença.

Marcelinho Carioca perdeu um pênalti decisivo em Libertadores. Contra Marcos, do Palmeiras, o maior rival. E continua sendo ídolo, mesmo mostrando-se um bolsonarista mentiroso. Mas, Marcelinho, no Corinthians, marcou 206 gols em 422 jogos, praticamente um gol a cada DOIS jogos. Tinha muita gordura para queimar e o erro contra Marcos foi insuficiente para mudar seu status. Aguardemos o que Memphis fará a partir de agora, para continuar sendo ídolo. O primeiro passo é afastar o perigo do rebaixamento no Brasileiro.

By Bauru Report

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