A colossal infraestrutura ao redor de Ormuz que promete transformar o comércio no Oriente Médio

A DP World, uma multinacional de logística e infraestrutura com sede em Dubai, firmou um contrato com a Autoridade Portuária de Fujairah para a construção de dois terminais portuários nos Emirados Árabes Unidos. Essa iniciativa visa estabelecer uma alternativa marítima ao Estreito de Ormuz, que é frequentemente afetado por tensões geopolíticas na região, ligando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã.

A companhia opera mais de 60 portos em todo o mundo e, no Brasil, é responsável por um terminal privativo situado na margem esquerda do Porto de Santos (SP), focado em serviços portuários e soluções logísticas.

Os projetos incluem um novo terminal para contêineres e carga multipropósito em Al Rugaylat, além de um terminal dedicado a carga geral em Dibba. Esses terminais farão parte de um novo gateway comercial com águas profundas na costa leste dos Emirados, preparado para receber navios porta-contêineres ultragrandes (ULCVs).

Fujairah é o único emirado totalmente localizado na costa oriental dos Emirados Árabes Unidos, voltado para o Golfo de Omã e conectado diretamente ao Mar Arábico e ao Oceano Índico.

Conforme informações da Agência de Informação sobre Energia dos Estados Unidos (EIA), o porto de Fujairah está posicionado no lado leste do estreito e pode ser acessado sem a necessidade de passar pela passagem entre Irã e Omã, que tem sido impactada por conflitos armados.

Em 2024, aproximadamente 20 milhões de barris diários de petróleo, condensados e derivados foram transportados através do Estreito de Ormuz, representando cerca de 20% do consumo global de líquidos derivados do petróleo e cerca de um quarto do volume total comercializado via marítima.

A EIA destaca que o estreito é um dos principais pontos críticos do comércio mundial de energia. Alternativas já existentes possuem capacidade significativamente inferior à quantidade normalmente movimentada através deste canal.

O futuro terminal Al Rugaylat da DP World deverá ter a capacidade para movimentar até 2,5 milhões de TEUs anualmente e também 1,7 milhão de toneladas em carga geral. O terminal geral em Dibba terá capacidade para até 3,6 milhões de toneladas por ano.

A movimentação total dos contêineres administrados pela DP World nos Emirados Árabes Unidos deve aumentar de 19,4 milhões para quase 22 milhões de TEUs após a conclusão das obras.

A construção desses novos terminais está prevista para durar cerca de 30 meses após o início das atividades e será integrada ao porto Jebel Ali, localizado em Dubai, que é um dos principais centros logísticos da região do Oriente Médio.

A contínua interrupção das exportações energéticas através do Estreito de Ormuz devido aos conflitos entre os EUA e o Irã gerou pressão sobre os preços internacionais do petróleo. Essa situação resultou em uma queda significativa nos fluxos diários, estimada em cerca de 20 milhões de barris—uma das maiores perturbações no fornecimento no mercado global nos últimos dez anos.

Atualmente, os Emirados Árabes Unidos contam com um oleoduto que liga os campos petrolíferos em Abu Dhabi ao terminal exportador em Fujairah no Golfo de Omã. Este oleoduto possui uma capacidade nominal aproximada de 1,5 milhão de barris por dia e não passa pelo estreito mencionado.

Além disso, o país está desenvolvendo uma segunda infraestrutura para aumentar essa capacidade alternativa. A ADNOC anunciou que acelerará a construção deste segundo oleoduto com previsão para concluir as obras até 2027, dobrando assim a capacidade atual das exportações por Fujairah.

A localização estratégica dos novos terminais da DP World proporciona conexões vantajosas com mercados na Índia, Sudeste Asiático e costa leste da África, todos acessíveis pelo Oceano Índico.

No Brasil, a DP World aprovou um investimento adicional na ordem R$ 1,6 bilhão com o objetivo de aumentar a capacidade do terminal no Porto de Santos para 2,1 milhões de TEUs anuais até 2028. Os investimentos anteriores já superam R$ 3 bilhões desde o início das operações no país. Em 2024, a empresa movimentou mais de 1,25 milhão de TEUs.

O terminal está situado na Ilha Barnabé e conta com um cais que se estende por 1.100 metros além da integração com conexões ferroviárias e uma área destinada à expansão que abrange 131 mil m². Com as obras avançando conforme planejado, espera-se que o cais seja ampliado e sua capacidade aumente para 1,7 milhão de TEUs até 2026 antes do crescimento subsequente para os mencionados 2,1 milhões.

By Bauru Report

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