Ao avistar Roger Machado se dirigindo ao vestiário, lembrei-me de Sérgio Ricardo, que há seis décadas tentava interpretar a canção “Beto Bom de Bola” em um festival promovido pela Record.
As vaias eram estrondosas. Ele tentava justificar que havia criado um novo arranjo musical, mas a resposta foi apenas um coro ensurdecedor de desaprovação. Não conseguiu completar sua apresentação.
Um episódio semelhante ocorreu com Caetano Veloso durante a execução de “É Proibido Proibir” em outro festival.
Caetano fez uma declaração marcante: “mas é essa a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês estão matando hoje o velhote inimigo que morreu anteontem”.
Sérgio Ricardo, diante da hostilidade, desistiu de cantar, destruiu seu violão batendo-o contra o banquinho e lançou os pedaços para a plateia.
Enquanto isso, Roger caminhava com confiança — talvez pensando nas filhas — rumo à sala de imprensa para explicar a derrota.
Derrota?
A verdade é que o time obteve a vitória. A equipe jogou bem, mas não conseguiu um placar elástico devido a falhas de Cauly e Calleri, que erraram na frente do goleiro e ainda desperdiçaram um pênalti.
No entanto, isso parece não ter relevância. Também não importa que a diretoria optou por demitir um treinador com 83% de aproveitamento nos últimos dez jogos para contratar outro com apenas cinco títulos no histórico.
A troca foi feita sob a promessa de conquistas, mas a realidade foi uma queda no desempenho. Nada disso parece relevante…
Trinta mil torcedores vaiando e atacando verbalmente um indivíduo transforma o Morumbi em um verdadeiro Coliseu. Isso é covardia. É um efeito manada, bullying coletivo e linchamento moral. É pura covardia.
Não há outra maneira de definir.
