O lançamento mais abrangente desta quinta-feira (11/6) é o quinto filme da consagrada franquia animada “Toy Story”, que chega às telonas em uma semana com poucas novidades. Além do novo capítulo de Toy Story, a programação inclui quatro outras produções, entre as quais se destacam duas obras brasileiras voltadas para a temática juvenil. Confira a lista completa dos lançamentos da semana.
🎞️ TOY STORY 5
▶ Assista ao trailer
A quinta entrega de “Toy Story” leva Woody, Buzz, Jessie e os demais brinquedos a enfrentarem um desafio contemporâneo: a distração das crianças com as telas. A nova vilã é Lilypad, um tablet infantil em formato de sapo que se torna parte da vida de Bonnie, relegando os brinquedos a um segundo plano. Essa nova narrativa transfere a crise de obsolescência que permeia a série desde 1995 para uma questão atual: a infância mediada por dispositivos eletrônicos, aplicativos e busca por validação social.
Andrew Stanton, conhecido por “Procurando Nemo” e “Wall-E”, dirige esta nova produção em parceria com McKenna Harris, que estreia na direção após sua participação em “Luca” e “Wi-Fi Ralph: Quebrando a Internet”. O filme oferece maior destaque à personagem Jessie, novamente dublada por Joan Cusack. Enquanto isso, Woody, Buzz Lightyear e Garfinho continuam como parte do elenco central, explorando se ainda existe espaço para brinquedos tradicionais em um ambiente dominado pela tecnologia. Tom Hanks retorna como Woody e Tim Allen como Buzz; Greta Lee faz sua estreia como a voz de Lilypad. O elenco ainda conta com Conan O’Brien interpretando Smarty Pants, um brinquedo educativo que intensifica o conflito entre utilidade, infância e imaginação.
Apesar das dúvidas quanto à necessidade de mais uma sequência, o filme mantém o padrão de qualidade que tem conquistado tanto o público infantil quanto os críticos nos últimos 30 anos, reafirmando sua relevância na franquia original da Pixar. A discussão sobre o excesso de telas é abordada de maneira profunda e reflexiva, não apenas como uma atualização humorística da marca, mas sim como uma conversa acessível e inteligente voltada para as crianças conectadas atualmente e seus pais.
🎞️ QUINZE DIAS
▶ Assista ao trailer
A adaptação do popular livro juvenil de Vitor Martins traz aos cinemas uma história sobre descoberta pessoal centrada nas dificuldades de ser diferente durante a adolescência. Miguel Lallo faz sua estreia no cinema interpretando Felipe, um adolescente gordinho e tímido que enfrenta bullying na escola e aguarda ansiosamente as férias como um momento de fuga: longe dos colegas e do olhar crítico do mundo exterior, ele planeja passar o tempo em casa lendo e assistindo séries. No entanto, seus planos mudam quando Rita, sua mãe interpretada por Débora Falabella, informa que Caio — seu vizinho por quem teve uma paixão na infância — ficará hospedado em sua casa por quinze dias.
A chegada de Caio (Diego Lira) desestabiliza toda a rotina defensiva de Felipe. O que inicialmente parece ser um pesadelo se transforma em uma relação repleta de inseguranças e desejos mútuos, obrigando Felipe a confrontar sua autoimagem e o temor da rejeição antes mesmo de explorar um romance. O filme aborda temas como bullying, gordofobia, homofobia e descoberta emocional sem recorrer a grandes eventos externos; as tensões surgem no cotidiano familiar — no quarto ou à mesa — onde pequenas interações revelam como um jovem aprende a aceitar seu corpo.
Dirigido por Daniel Lieff com roteiro escrito por Ray Tavares e Vitor Brandt, o elenco também conta com Mariana Santos, Silvio Guindane, Bel Moreira, Augusto Madeira e Fernando Caruso.
🎞️ CINCO DA TARDE
▶ Assista ao trailer
Bárbara Luz retorna à tela grande sob a direção de Eduardo Nunes seis anos após seu debute cinematográfico em “Unicórnio” (2017). Este novo drama é uma coprodução entre Brasil e Portugal filmado em preto e branco — semelhante ao primeiro longa-metragem do diretor chamado “Sudoeste” (2011) — explorando temas relacionados à adolescência, perda e percepção subjetiva.
No filme, Bárbara interpreta Anabel, uma jovem de 19 anos que lida com o luto após a morte da avó. Ela retorna ao apartamento onde ainda sente fortemente a ausência da avó. Nesse contexto delicado de dor emocional, Anabel começa a desenvolver laços com Meiko (Sharon Cho), sua vizinha tímida. A relação delas é caracterizada por hesitações silenciosas e reconhecimento mútuo.
A conexão entre Anabel e Meiko não se dá através de confidências diretas; ao contrário, elas compartilham momentos sutis marcados pela solidão e pela busca por pertencimento. Enquanto Anabel tenta processar sua perda, uma presença estranha no apartamento da avó transforma o drama pessoal em algo ambíguo — onde memória e imaginação se misturam sem romper com o realismo narrativo. O longa evita explicações excessivas enquanto acompanha Anabel nesse tempo suspenso que surge após a morte.
🎞️ A VIDA À PARTE
▶ Assista ao trailer
O cineasta italiano Marco Tullio Giordana traz para as telas uma adaptação do best-seller de Mariapia Veladiano ambientada entre os anos 1980 e 2000 em Vicenza. A narrativa inicia-se com Maria (Valentina Bellè), que dá à luz Rebecca — uma menina marcada por uma grande mancha vermelha no rosto. Este aspecto físico gera escândalo dentro da família burguesa porque Maria não consegue aceitar essa filha que não corresponde à imagem idealizada da maternidade.
A rejeição materna leva Rebecca a ser criada pela tia Erminia (Sonia Bergamasco), pianista que reconhece seu talento musical oferecendo-lhe uma alternativa fora da vergonha imposta pelo olhar crítico do lar familiar. Neste contexto musical surge um caminho para Rebecca — repleto de disciplina e autodescoberta — diante dos silêncios opressivos herdados pela família.
O roteiro é coescrito por Giordana junto com Marco Bellocchio e Gloria Malatesta. O elenco também inclui Paolo Pierobon no papel do pai de Rebecca.
🎞️ AS CORRENTES
▶ Assista ao trailer
A diretora argentina Milagros Mumenthaler volta aos cinemas após dez anos com este drama psicológico que explora os dilemas de uma mulher diante das consequências de um ato impulsivo. Lina (Isabel Aimé González-Sola), estilista argentina de 34 anos prestigiada após receber um prêmio em Genebra, vive uma experiência-limite que decide esconder ao retornar para Buenos Aires. Esse segredo afeta suas relações familiares — marido, filha— além do seu próprio corpo.
O enredo ilustra essa ruptura sem transformar o desconforto em explicações diretas. Lina tenta retomar sua vida cotidiana enquanto percebe tudo através de um véu distante; sua rotina parece perder significado. Esteban Bigliardi interpreta Pedro — seu marido que nota a mudança sem conseguir nomeá-la — enquanto Claudia Sánchez integra as relações interpessoais ao redor dela. A água aparece como símbolo recorrente representando deslocamento emocional, culpa e memórias reprimidas.
“As Correntes”, coproduzido entre Argentina e Suíça foi escrito e dirigido por Mumenthaler — vencedora do Leopardo de Ouro em Locarno pelo filme “Abrir Portas e Janelas”. O longa passou por festivais renomados como Toronto, San Sebastián e Nova York recebendo elogios internacionais pela construção sensorial sutil marcada mais pelos silêncios do que pelos diálogos explícitos na trajetória dessa personagem fragmentada.
