Após a trágica morte de um fisiculturista, um médico e professor da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) emite um alerta sobre os perigos do uso de esteroides anabolizantes, que podem levar a complicações como infarto, AVC e infertilidade.
Gabriel Ganley, um jovem fisiculturista e influenciador digital, faleceu aos 22 anos no dia 23 de maio. Com 1,7 milhão de seguidores no Instagram, ele compartilhava conteúdos sobre musculação e treinamento físico. A causa de sua morte repentina foi identificada como cardiomiopatia hipertrófica, uma condição que pode estar relacionada ao uso de anabolizantes.
O professor Marco Aurélio Marins Aguiar, que leciona Medicina na UMC e é especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), enfatiza que não existe uma dose segura para o uso desses hormônios visando o aumento da massa muscular. Ele alerta: “Essas substâncias podem causar efeitos colaterais graves, incluindo insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e infertilidade.”
Aguiar explica que os esteroides têm a capacidade de estimular o crescimento celular ou tecidual e são naturalmente produzidos pelo organismo. Ele destaca: “No entanto, só devem ser prescritos em casos onde há uma deficiência hormonal comprovada e em doses fisiológicas para reposição hormonal.”
É importante ressaltar que a prescrição desses esteroides para fins estéticos ou para ganho muscular é proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), conforme estipulado na resolução 2.333/2023. O endocrinologista acrescenta: “Frequentemente, o uso dessas substâncias se baseia em diagnósticos incorretos de deficiência hormonal, utilizando doses elevadas sem comprovação real dessa deficiência.”
Dentre os hormônios naturais com efeito anabolizante, a testosterona nos homens e o estrogênio nas mulheres se destacam.
Riscos
“O uso de anabolizantes com finalidades estéticas resulta em um aumento da massa muscular muito mais rápido do que o obtido apenas por meio da prática esportiva”, afirma Aguiar. Contudo, quando essas substâncias são utilizadas sem a orientação adequada para reposição hormonal masculina, podem ocasionar efeitos adversos severos tanto a curto quanto a longo prazo. Isso inclui um maior risco para doenças cardiovasculares como infarto do miocárdio e AVC, além da possibilidade de desenvolvimento de câncer hepático.
Outros efeitos colaterais incluem alterações de humor com maior irritabilidade e agressividade, bem como problemas como calvície, acne e acúmulo de gordura no fígado em ambos os sexos.
Entre os efeitos negativos nos homens estão a atrofia testicular, infertilidade e aumento das mamas. Nas mulheres, as consequências podem incluir engrossamento irreversível da voz, aumento do clitóris e atrofia mamária.
Academia faz bem?
O professor Aguiar ressalta que a musculação é uma prática física benéfica que auxilia na manutenção ou ganho da massa muscular e melhora a qualidade de vida em qualquer idade quando realizada sob supervisão profissional. Ele conclui com um alerta: “A musculação deve ser combinada com exercícios aeróbicos para promover saúde geral. O uso de substâncias arriscadas para acelerar o ganho muscular é inaceitável.”
